Quinta-feira, 12 de Junho de 2008

Coisas do meu país

 

Os mais atentos já devem ter reparado que não tenho feito as "escolhas" da semana, sugerido "coisas" de que gosto... enfim, aquele ritmo que pretendo retomar quando deixar de estar  no "vou ali e já venho".

 

Pois é. Até pensava que não ia estar por aqui tantas vezes.

Acontece que o meu grande "problema" é ter, sempre, muita coisa para contar.

Se soubessem o que fica por dizer!

 

É que, para além do que gostaria de contar sobre "coisas engraçadas" que me aconteceram no passado, acontece-me todos os dias mais uma.

Mais uma digna de registo. Para mim, entenda-se.

Então cá vai mais uma.

 

Dia passado com a afilhada. Nove anos acabados de fazer.

Embora cansada, não dá para dizer que não. Com ela esqueço tudo. 

E depois, como negar: "Fixe, Guigui, vem depressa. Vou guardar-te um crepe no forno. Não demores."

Ela sabe que nem sempre me pode pedir isto porque eu não tenho podido corresponder.

Sabe e entende.

Ainda não é "crescida". 

 

Desta vez juntou-se a nós o seu amigo Zé, benfiquista de coração -  jogador contratado pelo Benfica e já campeão - aos sete anos de idade.

Este, lá me foi contando do seu amor ao clube e que, possivelmente, aos dez anos, irá mudar para a escola do Sporting, onde já estivera, por uma questão económica. Não porque precise monetariamente, (digo eu) mas porque assim deve ser. E não se importa porque, mais tarde, assim que puder, voltará ao Benfica. "Também o Rui Costa saiu do Benfica e até chorou quando marcou a tal golo.."

Falou-me do que é ser campeão, sob o olhar cúmplice da sua amiga.

Esta contou-me que o melhor golo que fora marcado na final fora, sem dúvida, o dele.

Ele concordou, muito sério.

Ainda não é "crescido".

 

Almoço, passeio, muita conversa em dia, cinema e o tal acontecimento, digno de registo, pelo meio.

 

Rua estreita. Típica. Bonita. Lisboa à minha frente.

Eu seguia mais atrás, devagar, respirando e saboreando tudo o que gosto deste meu país, do outro lado do rio.

 

Ao fundo da viela, uma senhora de certa idade fazia umas "limpezitas" da sua casa, na rua. De repente:

- Olha a minha nora! A minha rica nora!!!

 

Ainda olho para trás. Ninguém. À minha frente, os outros a rir que nem podiam...

Mais uns passos e dou por mim com a senhora abraçada a mim. Quase me beijava:

- Ai minha senhora, desculpe! Parecia a minha nora. Desculpe, sim?

 

Em tom de brincadeira, numa tentativa eficaz de aliviar o constrangimento da senhora, disse, como sempre, o que me veio à cabeça:

- Olhe, não conheço o seu filho mas pela simpatia da mãe até nem me importava de ser sua nora!

O que eu fui dizer!

Seguiram-se, de rajada, todos os melhores adjectivos que uma mãe pode dedicar a um bom filho.

Do Bom e do Melhor. Bonito. Inteligente. Engenheiro. Amigo. Não há. "Giraço". E, para rematar, Garanhão

 

- Essa do garanhão podia ser dispensada. Digo eu!

 

Que não. Até era casado há quase trinta anos. Já com netos. Casara cedo. Os filhos também. A vida, ali, nuns breves minutos.

 

- Mas a senhora é muito nova para ter bisnetos!

- Já tenho oitenta, minha senhora!!!

 

Fiquei de boca aberta. Não parecia ter aquela idade.

 

Lá se despediu:

- Adeus, minha senhora. Gostei de a conhecer e não leve a mal, não? Sabe? Comparei-a com uma pessoa muito boa, a minha nora. Por isso não leve a mal, sim? Adeus... Adeus.

 

- Prazer em conhecê-la e mantenha-se sempre assim durante muito tempo!

 

Muito haveria para dissertar ou concluir sobre tal acontecimento. Houvesse tempo...

Mas fico-me por aqui:

• Para uma mãe, até um Garanhão é do melhorzinho que há no mundo.

• A nora é mesmo capaz de ser boa pessoa...ou não.

  Depende do ponto de vista.

 

 

 

publicado por tresgues às 07:48
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comentários:
De Anónimo a 15 de Junho de 2008 às 23:48
Ah!Agora já entendo o da nora.
Bem falavam da nora mas....não percebia.
Agora está bem!
Cá para mim cuitada da nora!Garanhão marido, não deve ser pêra doce.Mas "Só cai quem quer" ou "Quem corre por gosto ..."
Eu não disse que a escrita não é o meu forte.
De tresgues a 16 de Junho de 2008 às 14:48
Pois é! Ainda ninguém te tinha explicado? É que a R. , comadre, não fala de outra coisa. Ela também presenciou o facto e não parava de rir.
Também concordo contigo. Coitada da nora... Mas talvez seja só a mãe a querer que o filho seja muito "macho latino"... Afinal, se em terra de touros quem tem "não sei o quê" é rei... Já nem sei o que hei-de dizer... Se calhar é mais coitado do marido e mãe tenta mostrar o contrário... Mentes perversas... as nossas ;))) Não há condições!
Escrita não é o teu forte? É... é... Podes continuar!!!

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