Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Justiça. A quanto obrigas.

Lembrei-me hoje. Porque seria?

 

Conhecem, ou lembram-se?

É sobre o desfecho da história do Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau.

Demorou. Foi lento. Demorou séculos.

Mas lá saiu.

Então fiquem a conhecer, ou recordem.

 

Sem "escolhas", desejo-vos um

Bom fim-de-semana.

 


 

 Já saiu a sentença do conhecido caso do Capuchinho Vermelho e do Lobo Mau.   

A versão da justiça em relação ao Capuchinho e ao Lobo Mau é a seguinte, que a seguir se transcreve na íntegra:  

Visto e considerando os acontecimentos por todos conhecidos:


1)    Que o Capuchinho não desconhecia que podia encontrar-se com o Lobo Mau.  

2)    Que também não era alheio à fome do Lobo Mau, nem aos perigos reais do bosque.  

3)    Que se tivesse oferecido a cesta da sua merenda, para que o Lobo Mau acalmasse a fome, não teriam ocorrido os acidentes referidos.   

4)    Que o Lobo Mau não ataca o Capuchinho de imediato e  há evidências claras de que conversa primeiro com ele.  

5)    Que é o Capuchinho quem, voluntariamente, dá pistas ao Lobo Mau e lhe indica o caminho da casa da avozinha.

6)    Que a anciã não é imputável, já que confunde a sua neta com o Lobo Mau. 
 
7)    Que quando o Capuchinho chega a casa da avozinha, e o Lobo Mau está na cama com a roupa dela, o Capuchinho não se alarma.  

8)    Que o facto do Capuchinho confundir o Lobo Mau com a avozinha demonstra a infrequência das suas visitas à mesma, facto esse que se tipificaria como abandono de pessoa idosa por parte da jovem Capuchinho.

9)    Que o Lobo Feroz, com perguntas simples e directas, quer desesperadamente alertar o Capuchinho sobre a sua possível conduta final.  

10)   Que quando o Lobo Mau já não sabe que mais pode fazer para alertá-lo, e come o Capuchinho, é porque já não lhe restava outra solução.

11)   Que é altamente possível que, antes, o Capuchinho tivesse feito amor com o Lobo Mau e, inclusivé, o tenha disfrutado.  

12)   Que a versão de que o Capuchinho quando ouve a pergunta do Lobo Mau:

  «Onde vais?» Responde: «Ao rio, lavar as minhas partes!» cobra cada dia mais força e importância.  

13)   Que se depreende do ponto anterior que é o Capuchinho quem provoca os mais baixos instintos brutais e predadores da pobre fera.  

14)   Que o Lobo Mau ataca mas, tal feito, corresponde à sua própria natureza e ao seu instinto natural e animal, exacerbados pela conduta duvidosa do Capuchinho.  

15)   Que merece um parágrafo à parte, a mãe do Capuchinho, exibindo culpabilidade por não acompanhar a sua filha, conhecendo ela todos os potenciais perigos do bosque.  

Por tudo o que aqui foi dito e devidamente justificado, se absolve o Senhor Lobo Mau e se dispõe ainda:   

1.-   Advertir a família do Capuchinho, impondo à avozinha que se apresente num hospital a designar,  para sua observação geriátrica.

2.-   Advertir a mãe, para que cumpra correctamente com os seus deveres matriarcais.

3.-   Ao Capuchinho,    

  • Trabalho comunitário no Zoológico local, para conhecer plenamente e ao pormenor a natureza e o instinto animal.  
  • Indemnização ao Sr. Lobo Mau à razão de 100€ diários, devendo ainda preparar-lhe a merenda todas as tardes, durante um ano.  
  • A pagar as custas do processo.

Advertir e fazer saber, assim mesmo no presente, que este processo não afecta o bom nome e a honra do senhor Lobo Mau.

Publique-se, arquive-se, e tenha-se por firme a presente sentença.  
 
publicado por tresgues às 20:11
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