Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010

Justiça aos homens livres

Porque nunca é tarde demais para se fazer justiça a um homem livre, nem para se ler (ou reler) a sua última crónica no Expresso

 

Estive fora das lides bloguistas por uns tempos e o computador ainda não descansou o suficiente, pelo que me é dado observar. Mas pode ser que seja consequência do síndrome pós férias. Também um PC tem direito a isso.

Entretanto, com mais tempo, enquanto ele esteve fora, fui lendo por aí. E quero aqui deixar algumas passagens do que li. Aqui fica a primeira, em jeito de homenagem a um homem que sempre gostei de ouvir na TV.

 

Sobre Saldanha Sanches (1944-2010), escreve Carlos Pinto Correia, em "O Imenso Adeus", na separata do livro Justiça Fiscal:

 

(...) Foi sempre um homem na cidade, ao mesmo tempo individualista e fascinado por uma relação moral com o colectivo. À conta dessa obsessão, coleccionou inimigos com o gosto com que os outros amealham o crédito pelos favores concedidos.

E sempre fez tudo gozando com enorme alegria o que vida lhe deu. Cultivava os rituais de um tempo passado, mas sem ceder nunca à nostalgia. Num país onde a pieguice escorre pelas ruas e onde o interesse faz as vezes do empenho, possuía uma rara qualidade: não se lamentava nem tinha pena de si próprio. Sendo absolutamente honesto e intransigente, recusava levar-se a sério. Sempre o conheci a rir-se. E, quando no fim de tudo, os deuses revelaram a cruel partida que lhe estava destinada, encontrou uma saída impossível. Entre o desespero que não se permitiu e a resignação que não sentia, riu-se do seu estranho destino. Até nesse momento conseguiu manter-se uma homem livre. O único que alguma vez conheci.

 

Gosto de gente assim. Livre. E que gosta de ser livre. Mesmo que lhe chamem individualista. Mesmo que essa liberdade seja desdenhada por aqueles que estão presos. E que gostam - e amam - estar presos. Simplesmente porque não querem. Melhor dizendo, não conseguem. Dá trabalho, num país de gente presa atingir a liberdade. Mas quero acreditar que esses presos também gostariam de ser livres, de rir e de gozar com enorme alegria o que a vida lhes deu. Porque um dia também vão partir.

 

publicado por tresgues às 12:21
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