Domingo, 22 de Junho de 2008

Hoje é dia Mundial do yoga

 

Ao entrar, hoje, na página do sapo vejo a seguinte pergunta:

- Já praticou yoga?

Respondi, prontamente, que sim.

Faço parte dos 8% que, como eu, responderam afirmativamente - até àquele momento

 

Eu pratiquei yoga. Sim. Uma única vez.

 

Já contei a história a alguns amigos.

 

Certo dia, acompanho a fifi à aula de Yoga que, "afortunadamente", se dirigia unicamente a nós.

Foi numa altura de muito stresse, muita preocupação mas, felizmente, com tanto trabalhinho pela frente que, por vezes, desde as sete horas que me levantava -  às vezes, seis -  até por volta da meia-noite, não me sentava um só minutinho que fosse.

 

A aula começou às dezasseis e trinta minutos.

Até esse preciso momento, eu já havia feito tudo o que me era, humanamente, possível fazer.

Julgo eu. Sempre podemos fazer mais.

Adiante.

 

Por esta razão, tentei esconder, o mais possível, a exagerada sonolência que se apoderou de mim através de bocejos cada vez mais pertinentes e regulares.

O cabelo, felizmente, comprido o suficiente para me tapar a cara, foi o meu maior aliado. Fazia deslizá-lo, como quem não quer a coisa, pelo rosto abaixo e a aula lá corria normalmente -  com mais braço, menos perna, mais cabeça, menos pescoço -  encolhido ou esticado - para mim já tanto fazia.

Era-me indiferente. Só queria esconder da professora aquela "espécie de vergonha" por  ter de passar a aula naquela triste figura. 

Ninguém imagina. Era demais. Não me reconhecia.

 

Segundo a professora, até fui muito bem, para uma primeira vez.

Como sabia da nossa situação, foi simpatiquíssima. Elogiou-me por isso mesmo. Para evitar mais delongas.

 

Eis se não quando, a dez minutos da aula terminar, manda-nos deitar numa almofada muito fofa, com as pernas elevadas e encostadinhas à parede.  Põe uma musiquinha muito baixinho e sai, dizendo num sussurro:

 

- Relaxem, dez minutinhos. Volto já!

 

Minhas amigas e amigos... Só sei que, quando ela volta e abre a porta, dou por mim sem saber onde estava, quem era, de onde vinha e para onde ía!

E pior!

Quem seria aquela "personagem", ali mesmo à minha frente e o que estaria ali a fazer?

 

Sorrateiramente, sai de novo, fazendo qualquer sinal à filha, que não percebi.

 

Só entendi, depois, quando a fifi me diz:

- Ó mãe! Não consegui concentrar-me por tua causa... Ressonaste o tempo todo. Ainda bem que não havia cá mais ninguém... Mas devem ter ouvido lá fora!!!

 

- Quem eu? Nã!!! - reparando, através dos vidros, nas pessoas que estavam lá fora  a olhar cá para dentro. (Acho que entravam logo a seguir.)  - Eu?

 

Nunca mais fui ao yoga. Mas recomendo.

A quem não ressona. Ou ressona baixinho.

 

 (Foto retirada da net)

 

 

 

publicado por tresgues às 17:47
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comentários:
De Yoga - Método DeRose a 4 de Julho de 2008 às 19:53
Olá!

Estive a ler a sua história e fartei-me de rir... acho mesmo que valeu a pena este tempinho. Como tal, gostaria de desmistificar algo que pairou pelo texto:

Devo dizer-lhe que sou Prof. de SwáSthya Yôga e que infelizmente essa experiência vivida acontece em dezenas e dezenas de espaços onde se pratica Yôga... na verdade talvez se pratique Ioga (que é bem diferente) Pois as aulas de Yôga que ministro são fortes e não têm a proposta de relaxar tanto como menciona. Aqqui, os praticantes ficam cheios de energia e disposição para a vida. Ganham flexibilidade e condição física que em nenhum desporto conseguem. - Aconselho-a a experimentar.

Despeço-me com um sorriso e apresento-lhe os meus cumprimentos

Carlos
De tresgues a 5 de Julho de 2008 às 09:13
Bom dia!
Já li ontem o seu comentário e não respondi logo pq tinha de fazê-lo com calma... :)
Em primeiro lugar, obrigada por ter vindo aqui e ainda bem que ficou bem disposto ao fazê-lo. É essa a minha intenção...
Em segundo lugar, após ter escrito o que escrevi fiquei com a "ligeira" impressão que o meu texto poderia induzir em erro quem o lesse. Pelo menos no final, os dois últimos parágrafos, onde digo que nunca mais fui ao yoga.
Acontece que:
1º - Nunca foi, peço desculpa, uma actividade física que me atraísse. Tenho outras que prefiro... de longe! (Agradeço que, agora, continue bem disposto ;)
2º - Isso não impediu que a minha filha o praticásse. O que quer dizer alguma coisa. Pois não queremos sempre o melhor para os nossos filhos? Às vezes é aborrecido eles preferirem o Sporting ao Benfica... mas... É a escolha deles :)
3º - Ela praticou, em Lisboa, com o Método de Rose. Tenho livros lá em casa sobre o assunto... Que só li na diagonal... O que hei-de fazer?
4º - Aqui (estamos neste momento na Alemanha) a professora é, segundo a filha, muito competente. Aliás, o Sting - quando veio cá - teve aulas com ela.
5º - Tenho amigos que também o praticam e já deram (ou dão) aulas.
6º - Aquela aula que descrevi foi especial. Feita só para nós, atendendo ao momento que passávamos. Nessa altura, a filha estava fisicamente (e ambas psicológicamente) muito debilitada. Não lhe era possível fazer todos os exercícios. A professora foi impecável... (E nós, também, porque mm assim fomos! ;)
Mas.. sentimo-nos muito melhor à saída do que à entrada! E eu, naquela altura, dormia em qualquer lado (felizmente)... Até num concerto do Sting ;)
Portanto, e concluindo, para minha "remissão":
a) Quem sentir muita vontade pode e deve praticar Yoga;
b) Quem não sentir muita vontade pode e deve experimentar. Pode até mudar de idéias;
c) Não se esqueçam que podem e devem praticar SEMPRE qq actividade física. Há para todos os gostos e adaptada a qq um.

PS: Já experimentou dança criativa? ;)
(Também me despeço com um sorriso.)

De Yoga - Método DeRose a 5 de Julho de 2008 às 12:21
eheheheh...

Acredito que deva ser uma pessoa fantástica e com excelente sentido de humor.
Começando a responder pelo fim, nunca fiz dança criativa, quem sabe um dia arranje um jeito :)
Devo então concluir que a sua prática não foi mesmo yôga mas sim uma espécie de aula especial para o estado psicológico em que vocês se encontravam :) pelo menos deu para relaxar ou administrar o stress..
Receba uma vez mais o meu sorriso e carinho especial, que consiga tocá-la aí tão longe de nossa terra natal.

SwáSthya!
Carlos
De tresgues a 5 de Julho de 2008 às 15:15
Pronto!
Ainda bem que me expliquei melhor.
Dança criativa tb só fiz uma vez - durante cinco dias, em Espanha. Mas A-DO-REI!!!
Já procurei e ainda não encontrei, daquela "forma" em Portugal. Para a dança criativa todos têm jeito. Cada um faz como sente a música no momento... Só é preciso aprender a relaxar e esquecer-se do resto.
Daqui à nossa terra natal são só uns míseros minutinhos... Digamos que compridos... Longos...(quase três horas) Por isso recebi tudo direitinho.

auf Wiedersehen!



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