Terça-feira, 30 de Novembro de 2010

Bacalhau, azeite e alho... e atum da Ramirez

Desta vez não falei da minha viagem porque correu tudo bem, apesar de ser "em cima da cimeira" e não podermos voar por cima da mesma. Mas é quando as cimeiras estão em cima é que é bom passar-lhes ao lado. Por um lado evitam-se as cimeiras, por outro lado viajamos mais descansados com tamanha segurança nos aeroportos. Como sou uma pessoa atenta a estas coisas da segurança, raramente o check-in apita comigo - excepto quando as botas têm aquela "triste alminha" de ferro escondida. Tenho cuidado e tiro atempadamente tudo para fora: o cinto, se tem fivela das tais; o computador; as chaves; o casaco... e nunca levei nada que pudesse ser alvo de uma maior atenção. Aliás, nem aquando das últimas mudanças sobre a quantidade de líquidos, cremes ou medicamentos a transportar, eu tive qualquer problema.

Toda esta introdução para quê? Para vos contar mais uma cena interessante do quotidiano e que, por falta de tempo, não contei na altura.

Ora, chego eu mais uma vez a terras lusas e deparo-me no Modelo Continente - passo a devida publicidade - com umas novas latas de atum da Ramirez - passo de novo a devida publicidade... apesar do meu médico me dizer que é neto do Sr. Ramirez e que também gosta dos seus produtos - será que ele não está a passar a devida publicidade? (acho que não, porque quem começou tão interessante conversa com ele sobre este assunto fui eu.;) E o que vejo nessas novas latas - pelo menos para mim? Atum com milho, atum de tomatada, atum com grão, atum com feijão e... o que nunca tinha visto, bacalhau, azeite e alho!

E porque é que este me chamou a atenção? Ora, porque uma pessoa pode ter muitas coisas mas não tem bacalhau, azeite e alho em terras germânicas. Vai daí, a tresgues, como é uma pessoa com os neurónios sempre a funcionar - depois da bica já tomada - pensa: Olha, que coisa boa para a fifi levar na mala, para uma salada rápida, por exemplo. E melhor pensado, melhor feito. E, assim, compro, experimento primeiro, vejo que até gosto, compro mais e quando a filha vem num fim-de-semana qualquer falo-lhe no assunto. Ela disse «nim» mas, mesmo assim, no meu papel de mãe lá vou novamente ao Modelo Continente e compro, antes de mais, BACALHAU, AZEITE E ALHO  - duas latas - e outras duas ou três dos vários novos atuns da Ramirez.

Entrego-lhe a encomenda e digo-lhe que não se esqueça de a pôr na mala.

Como viajamos quase sempre com uma mala pequena que levamos para o avião evitando esperas  de bagagem na chegada, só depois do bilhete confirmado, me lembrei que não tinha a certeza se o conteúdo, em volume, das respectivas latas estava dentro das regras. Eu achava que sim, mas como era a primeira vez que transportava BACALHAU, AZEITE E ALHO e atum da Ramirez dentro da mala, queria ter a certeza, pois não queria que por minha culpa a fifi começasse a "apitar" e tivesse que abrir ali mesmo a mala, deixando os Ramirez por ali de rastos. Não pelas ruas da amargura, mas pelos corredores do aeroporto de Lisboa. Porque, conhecendo eu bem a fifi que tenho ela, sem se importar nada, punha a mala no chão, abria a mala, tirava o BACALHAU, AZEITE E ALHO e os atuns dos Ramirez todos - de joelhos, no meio do aeroporto, com todos a olharem e... sempre na maior! No entanto, como ainda havia tempo, sem lhe dizer mais nada, ao passarmos por dois funcionários da TAP - todos bem fardados e já de gravata alinhada, ali junto ao café, e às seis da manhã - pergunto a um, sempre sem pensar no que digo, só com o intuito de me despachar e de evitar percalços à fifi: (e segue-se a respectiva conversa)

tresgues - Olhe, desculpe, eu esqueci.me de perguntar ali... Pode dizer-me se aquelas latas de atum Ramirez e umas novas que há agora de BACALHAU, AZEITE E ALHO que eu pus ali na mala da minha filha, passam sem problemas? Será que estão dentro das normas?

funcionário1 - Hum...

tresgues - Pois, é que é a primeira vez e como nunca levei, nem ela...

funcionário1(sério) - Atum? Ramirez? Bacalhau, azeite...

tresgues - Sim, sim. Pois...

funcionário1 - Pois, não sei. É do tamanho das latas normais?

tresgues (muito contente) - Sim, sim, é mais ou menos. Se não for mesmo igual.

funcionário1 (muito direito, continuando muito sério) pergunta ao colega, também ele muito direito e muito sério: Olha, lá!

funcionário2 - Sim, sim! Diz.

funcinário1 - Tu conheces aquelas latas de atum?

funcionário2 - Sim!

funcionário1- Ramirez?

funcionário2- Hum... Sim, Ramirez!

funcionário1 - E aquelas novas de BACALHAU, AZEITE E ALHO?

funcionario2- Huuum... sim, sim!!!

funcionário1 - Gostas?

funcionário2- Gooosto!!!

funcionário1 -Huuum!!! Também eu... Olhe, pode passar que não deve haver problema. Se houver, não faz mal! Nós ficamos com elas!

 

Fifi para mim: Mas porque é que eu tenho uma mãe assim?

Eu, que já limpava as lágrimas de riso, para fifi: Mas porquê a mim? Eu tenho culpa?

Fifi para mim: Tens! 

E vendo de novo, mais tarde, os funcionários 1e2, responde-lhes igualmente: Olááá... Tchau! 

Eu para fifi: Olha, vês? À custa dos Ramirez já fizeste dois amigos!

 

PORQUÊ?

Não sei. Acontece-me.

publicado por tresgues às 09:19
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comentários:
De geriatriaaminhavida a 30 de Novembro de 2010 às 16:00
Engraçado, desconhecia essas novidades.
Vou ter de experimentar .
Tiveste mais sorte do que eu, pois quando fui a Israel ter com o meu marido as conservas tiveram de ficar no aeroporto.
sabes, achavam que tinha alguma bomba!
De tresgues a 1 de Dezembro de 2010 às 10:16
Sim? Pois não sei. Estas latas são das mais pequenas. Julgo estarem dentro da norma.
Será que tens assim mais pinta de "mulher fatal" e eles pensarem :"Hum... pode ser uma mulher perigosa!"
(Como é óbvio, estou a brincar, né?)
De geriatriaaminhavida a 1 de Dezembro de 2010 às 11:25
Se calhar foi isso, o que é certo é que as minha conservas ficaram retidas. Antes elas que eu!
Beijinhos
De tresgues a 1 de Dezembro de 2010 às 11:56
Também concordo.
Bem, uma vez, também levava um frasco (de doce de tomate feito pela avó) na mão e não passou. Disse ao sr. funcionário que, nesse caso, ficasse com ele, porque quem o fez, provavelmente não fará muitos mais e este ficou muito ofendido. Até podia brincar com a situação, como os outros. Mas não.
Provavelmente. os que gostam dos "Ramirez" nunca ficariam com nenhuma lata, já o outro...
Bom, mas como não é minha intenção, pôr-me aqui com considerações acerca de quem não conheço, por aqui me fico, que faço melhor fugura! ;)
Resto de um bom dia.
De tresgues a 1 de Dezembro de 2010 às 11:57
"FIGURA"!
De Mecanico do Paladar a 2 de Dezembro de 2010 às 10:37
Ora aí está, é por estas e por outras que as conservas Portuguesas fazem bem à saude!
Se nos fazem rir, fazem bem à saúde.
Se gosta de conservas fique sabendo que o mecanico comercializa 12 tipos de sardinhas em conserva diferentes e uns tantos atuns, mas nenhuns da Ramirez.
E vou ter mais a curto prazo.

Salut!
De tresgues a 3 de Dezembro de 2010 às 23:16
Doze tipos de sardinhas?
Uma dúzia e mais a caminho? E atuns?
Hum... Coisa boa para montar negócio por aqui.
Ainda hoje falámos nisso.
E mais o azeite, e as azeitonas, e os vinhos, e o mel, e a cortiça... tão apreciados por estes lugares e tão mal explorados por nós.
Salut!
De Mecanico do Paladar a 4 de Dezembro de 2010 às 09:41
Cuidado com os negócios gourmet, eu tenho uma coisa dessas e posso desde já afiançar que o caminho por vezes é cansativo.
Se estiver com vontade de criar um monstrinho gourmet, diga que o sobrinho já vai percebendo dessas mecânicas, não fosse ele mecânico do paladar da Oficina do Paladar.
Olhe para ele aqui a vestir a camisola de uma das suas marcas...
http://videos.sapo.pt/CkdsFpI4AlHBjsKwwDAG
Beijinhos e essas coisas.
De tresgues a 4 de Dezembro de 2010 às 10:20
Mas olha que coisa interessante. Gostei de saber. Eu acho que até gostava de ter uma gourmet por estes lados. Não tanto pelo lucro da coisa - que também era importante - mas mais pela divulgação das coisas boas que nós temos e que sei, são tão apreciadas por aqui. Ontem, reparámos que no super só havia chouriços de Itália, daqueles que não fazem inveja nenhuma aos nossos... Quanto à filha, essa diz que uma peixaria é que era. Acredita que não há nenhuma nesta cidade! (Há uma espécie...)
O azeite (de Vila Velha) já o fizemos aqui chegar e provar e já o conhecem de olhos fechados. (Adoram e já fizeram concursos para o reconhecerem. Acertam sempre.)
Já conhecia essa marca de ginja. Acho que já comprei (em Sesimbra?) e até já provei. Gostei!
Ora aí está uma coisa bem interessante.
Dá trabalho, acredito. Mas pelo brilhozinho nos olhos, acredito que, quem gosta do que faz... é meio caminho andado para que corra bem.
Continuação de bom trabalho, boa sorte e... já fiquei (ficámos) com água na boca.
(Porque ginja... não temos.) ;(
De Mecanico do Paladar a 4 de Dezembro de 2010 às 10:39
a Titi fala (escreve) de que cidade?
De tresgues a 4 de Dezembro de 2010 às 10:47
A titi fala de Heidelberg. Cidade de estudantes. E não só...

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