Terça-feira, 13 de Março de 2012

Preocupado com o futuro dos filhos? Dos netos?

Não perde tempo, neste caso, na leitura que aqui lhe deixo.

Eu, como já imagina quem me conhece, estou totalmente de acordo com tudo.

 

Leopoldo Abadía (Zaragoza, 1933), professor e escritor espanhol, conhecido pelas suas análises à crise económica actual, disse num artigo:

(tradução minha, com algumas palavras deixadas como estavam, só por graça)

 

 

Escreveu-me um amigo dizendo que está muito preocupado com o futuro dos seus netos.
Que não sabe que fazer: se deixar-lhes a herança para que estudem ou gastar o dinheiro com a sua mulher e que "Deus os acolha como já confessados".
Que Deus os acolha como já confessados é um bom desejo, mas parece-me que não tem que ver com a sua preocupação.
Em muitas das minhas conferências, levantava-se uma senhora (isto é pergunta de senhoras) e dizia essa frase que a mim me dá tanta graça: "que mundo vamos deixar aos nossos filhos?"
Agora, como me vêem mais velho e vêem que os meus filhos já estão crescidos e que se "manejan bien por el mundo", só me dizem "que mundo vamos deixar aos nossos netos? 

Eu só tenho uma afirmação da qual estou cada vez mais convencido: "y a mí, qué me importa?!"
Acho que soa um pouco mal, mas é que, realmente, me importa muito pouco.
Eu era filho único. Agora, quando me reuno com os outros 64 membros da minha famiíia directa, penso no que diriam os meus pais se me vissem, porque de 1 a 65 "hay mucha gente". Pelo menos, 64.
Meus pais foram um modelo para mim.

Preocuparam-se muito com as minhas coisas e comigo, animando-me a estudar fora de casa (coisa fundamental, da qual falarei num outro dia, e que te ajuda a tirar "la boina"  e a descobrir que há outros mundos fora do teu povo, da tua cidade e do teu piso), se focaram para que eu fosse feliz. E me exigiram muito.
Mas "¿qué mundo me dejaron?" Pois vede, deixaram-me:
1. A guerra civil espanhola 2. A segunda guerra mundial 3. As duas bombas atómicas 4. Coreia 5. Vietname 6. Os Balcãs 7. Afeganistão 8. Iraque 9. Internet 10. A globalização... E chega, não continuo porque esta é a lista que me saiu de um tiro, sem pensar. Se penso um pouco, escrevo um livro. Vocês pensam que os meus pais alguma vez sonharam no mundo que me iam deixar? Não o podiam, sequer, imaginar!
O que fizeram foi algo que nunca lhes agradecerei bastante: tentaram dar-me uma muito boa formação. Se não a adquiri foi culpa minha.
Isso é o que quero deixar aos meus filhos, porque se me ponho a pensar no que se vai a passar no futuro, me entrará la depressão e depois, não servirá para nada, porque não os ajudarei no mínimo que seja.
Eu gostaría que os meus filhos e os filhos deste senhor que me escreveu e os teus e os dos outros, fossem gente responsável, sã, de mente limpa, honrados, "no murmuradores", sinceros, leais. O que por aí se chama de "boa gente".
Porque se forem boa gente farão um mundo bom.
Portanto, menos preocupar-se pelos filhos e mais em dar-lhes uma boa formação: que saibam distinguir o bem do mal, que não digam que tudo vale, que pensem nos outros, que sejam generosos... Nestes pontos essenciais podeis ainda pôr todas as coisas boas que vos ocorram.
Ao acabar uma conferência a semana passada, chegou-se uma senhora ao pé de mim, uma senhora jovem com dois filhos pequenos. Como também naquele dia me tinham perguntado sobre o mundo que vamos deixar aos nossos filhos, ela também me disse que se preocupava muito, mas com o seguinte: que filhos vamos deixar a este mundo? A  senhora jovem, mas de sabedoria de sobra, deixou-me a pensar.
E voltei a dar-me conta da importância dos pais. Porque é fácil isso de pensar no mundo, no futuro, em tudo o que está mal, mas quem sabe, enquanto os pais não se dêem conta de que os filhos são coisa sua e que se eles se sairem bem a responsabilidade é 97% sua e se eles se sairem mal, também não desprezemos "las cosas". E o Governo e as Autonomias se esgotarão a fazer Planos de Educação, tirando a disciplina de Filosofia e voltando a pô-la, acrescentando a "Historia de mi pueblo" (por aquela coisa de pensar em grande) ou retirando-a, dizendo que há que saber inglês e todas essas coisas.
Mas o fundamental, a essência é outra: os pais.
Já sei que todos têm muito trabalho (ou não), que as coisas já não são como dantes, que o pai e mãe chegam cansados a casa, que assim que chegam, os filhos vão para a televisão ou para o computador, que de liberdade é o que levam, e que a autoridade dos pais é coisa do século passado.
Sei tudo isso. Sabemos tudo. TUDO. Mas, não deixemos que, como sabemos tudo, não façamos NADA.
Leopoldo Abadía.
P.S. :
1. Não falei dos meus netos porque para isso têm os seus pais.
2. Eu, com os meus netos, a merendar e a dizer tontarias e a rir-nos, e a contar-lhes das notas que tirava o seu pai quando era pequeno.
3. E assim, para além de divertir-me, talvez os ajude na sua formação.
 

publicado por tresgues às 09:11
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comentários:
De rodrigando a 13 de Março de 2012 às 15:17
De acordo? Totalmente.
Talvez que se não nos tivessemos preocupado tanto antes agora não estivessemos neste estado.
Alguns quisemos dar tudo, o que tinhamos e o que não tinhamos.
Alguns, ao contrário do ditado, demos-lhe o peixe já limpo e sem espinhas mas não os ensinámos a pescar nem a arranjá-lo.
Ouvimos as crianças dizer que o leite vem do supermercado e a carne do talho e ficamos muito admirados por eles serem tão ignorantes do dia a dia.
Mas a quem culparmos senão a muitos de nós?
Aqui em casa, porque já não estou sózinha, tenho um neto de sete anos que só come sopa passada,não foi habituado e não consegue comê-la de outra maneira e esta é a única forma de o fazer comer legumes.
EU NÃO ENSINEI OS MEUS FILHOS ASSIM mas não quis intrometer-me na educação do neto,pelo mens a nivel alimentar,no entanto agora sei que vai ser dificil reeducá-lo.
Enfim, estou de volta.
PS - Há dias vi fotos da nossa cidade e fiquei muito triste, há muitas casas ao abandono e a nossa cidade florida tem o Centro Histórico praticamente a mato.
Um abraço
De tresgues a 13 de Março de 2012 às 22:35
Olá!!! E que bom sabê-la de novo por aqui. É bom sinal, com certeza.
Pois, também concordo com tudo, actuando sempre deste modo, independentemente "das normas vigentes" e do que ouvia em meu redor, do tudo dar, do nada comentar (caso não se pudesse dar), do não responsabilizar, etc, etc.
Brinquedos feitos por nós, roupas das bonecas feitas com roupas velhas nossas, fatos de banho das bonecas feitos com balões (aqui já a imaginação dela fluía sozinha) e assim se foi habituando a filha a produzir os seus brinquedos e que, espantada, os outros invejavam - e que ainda hoje tenho guardados.
Bom, ainda dei com ela a pedir chocolates no café ou agarrada às pernas de um "senhor menos sóbrio" implorando: "Dá-me uma pastilha, dá-me uma pastilha!" ;) Mas foram só estas duas as "afrontas" de que me lembro. E hoje acho que posso dizer que valeu a pena.
PS: Quanto ao neto e à comida, menos mal que até come a sopa.Já vi pior!
Abraço grande e muita saúde para todos.
Sem sopa passada. De preferência. :)))

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