Terça-feira, 27 de Março de 2012

Prova final no quarto ano

Concordo e aplaudo.

Já era hora.

Todos iguais, todos diferentes.

Diferentes porque uns são mais interessados do que outros, outros mais trabalhadores, outros mais atentos... Diferentes, portanto.

E nem todos têm capacidade para ser grandes doutores ou grandes engenheiros (sem trabalho no futuro), mas poderemos estar a perder grandes canalizadores, óptimos sapateiros ou costureiras (que poderão vir a ser bem precisos).

Portanto, é de pequenino que - já sabemos todos - se torce o pepino (nunca percebi bem esta analogia, mas entendo o que quer dizer, e concordo).

E até pode acontecer que alguns alunos se venham a empenhar muito mais, porque sabem que vão ter prova final.

Sempre assim foi.

A menos que tenham por perto um pai ou uma mãe que os venha a influenciar negativamente, com frases do género: "Coitadinhos, ainda são tão pequeninos, nem os deixam crescer saudavelmente..."; "Pobrezinhos, isto é só para criar diferenças entre os espertos e os outros." (Espertos, com uma carga negativa, claro, de tal modo que os pobrezinhos ficam logo sem vontade nenhuma de ser espertos. Coitadinhos).

Mas estes "pobrezinhos" e "coitadinhos" (até me custa a escrever estas duas palavras, mas que elas existem nalgumas mentes parentais, é um facto) vão enfrentar uma realidade bem diferente, onde os paizinhos não entram para os defender.

Ou entram, quem sabe? Ai, pobrezinhos. Coitadinhos.

 

PS: Eu adorei fazer exame no quarto ano (antiga quarta classe). Tive vestido, sapatos novos e tudo. Fazer provas do 6º ano (antigo 2º ano do ciclo... aliás fiz provas duas vezes porque mudei de escola em Abril). Fazer exames (ou ficar dispensada se tivesse média superior a catorze) a todas as disciplinas do 9º ano (antigo 5º ano... e um deles com uma carga horária de seis horas). Fazer exames no CComplementar para poder depois entrar no ensino superior.

E não vou continuar para não aborrecer

a quem tem mais que fazer

e precisa de trabalhar.

Ai, coitadinhos.

Resto de boa semana, pobrezinhos.

publicado por tresgues às 11:53
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comentários:
De loengo a 27 de Março de 2012 às 12:48
De acordo, completamente.
Acaba-se o facilitismo. Também fiz o exames todos... e, cá estou e, de mente saudável... levei uma turma a fazer o exame da 4.ª classe, nenhum menino ficou traumatizado.
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 14:24
Os meninos não ficaram traumatizados?
Isso achas tu, que eras uma traumatizadora de criancinhas... ;)

PS: Então "tá-se" bem?
E o loengo? Nada?
Passa p'ra cá já a flor...!!!
De rodrigando a 27 de Março de 2012 às 13:43
Absolutamente de acordo1
eu nos 2º e 5º ano do Liceu dispensei a todas as orais. As escritas tive que fazer porque era aluna externa. Só não fiz a escrita de matemática porque era "chumbo" certo. Mas depois tive que fazer um exame especifico antes de entrar no 10º. Acabei o 12º com media de 16,2 e com 60 anos.!!!!
Tenho um neto com 7 anos e com 6 meses de escola que já lê quase correctamente. Tem interesse em aprender, uma Professora excepcional e o apoio familiar.
Mas eu recordo-me de sair da escola primária e ir imediatamente trabalhar (11 anos acabadinhos de fazer) o que me deu um grande gozo pois chegar a casa com 60$00 por mês era ser gente crescida.
Era cedo demais? Talvez; mas quando não havia condições económicas para continuar a estudar,não se pode aproveitar uma Bolsa de Estudos oferecida, alguma coisa tinha que se fazer.
Acho muito bem o exame do 4º ano. Nós faziamo-lo até na 3ª classe, recorda-se?
Um grande abraço
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 14:20
Aplaudo todas as rodrigandos deste mundo, país e arredores. :)
Eu já não fiz exame da 3ª classe.
Mas recordo a minha avó que só chegou ao exame da 3ª e que grande mulher foi - e que bem escrevia, e que bem fazia contas, e que bem orientou a vida, e... letra tão bonitinha que tinha.
Abraço
De zaida a 27 de Março de 2012 às 14:57
Ora aqui está!!!!! Eu tb fiz o exame da 4ª classe e para seguir estudos ou seja para ir par o 1ª ano do Liceu (hoje 5º ano), tive que fazer exames de admissão ao liceu e Escola comercial e Industrial. Fazer escritas e orais ; duas escritas, duas orais pois não havia dispensas. Fiz tb exame do 2º ano (hoje 6º) fiz escrita e dispensei à oral e no 5º ano (hoje 9ª) a mesma coisa...dispensei à oral. Tiinhamos que nos esforçar para que isso acontecesse. Em anos de exames víamos as festas a passarem por um canudo...não sei se me entendem .Não fiquei traumatizada nem com a escola , nem com os professores e muito menos com colegas ... Também tinhamos as nossas birras, chatices e até às vezes puxões de cabelos e bofetões uns aos outros. Hoje rimo-nos e dizemos que tivémos uma infância e adolescência feliz. Eu pelo menos tive!!!!! hoje sou professora e tenho pena que por vezes se passem alunos que enfim.... são pequeninos , coitadinhos..... é por isso e por outras que crescem sem nunca crescerem...
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 16:51
Nem mais, "crescem sem nunca crescerem".
E é com pena que assistimos a isso durante anos e vimos coisas como esta:
(http://tresgues.blogs.sapo.pt/169485.html)

Mas sempre é altura de mudar e tentar ser justo para com aqueles que trabalham e se esforçam.
Os outros terão apoio que, segundo as novas regras, também aplaudo.

PS: Também já aqui falado nos exames dos professores: (http://tresgues.blogs.sapo.pt/167917.html)
De Zaida a 27 de Março de 2012 às 17:56
Vamos ver se colocam professores nas escolas para que os alunos com mais dificuldades tenham o apoio de que necessitam. Não é com turmas de 26 alunos onde estão alunos de vários anos de escolaridade que os professores titulares de turma podem dar apoio àqueles que mais necessitam.
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 18:20
Pelo que me pareceu ouvir, esses alunos terão um apoio específico, mais individualizado. Ou será que o adiantado da hora em que ouvi a notícia me fez ouvir o queria...?
De Anónimo a 27 de Março de 2012 às 15:31
É malta! Nós somos "Usadas", mas não traumatizadas.
Fiz todos os exames (os do antigo 5º ano era matéria de 3 anos) e sempre me senti feliz, principalmente porque tinha visto o meu esforço recompensado.
Agora não há metas a atingir. Elas são dadas de mão beijada, principalmente aos mal comportados ou aos preguiçosos, para não perturbarem os colegas...
Haja decência
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 17:07
Qual usadas?
Nunca me senti usada.
Quer dizer, nunca deixei! ;))

Pelos vistos tirámos o mesmo curso: O Geral do Comércio da Escola Industrial. Devo ter acertado, porque sei o que representava fazer um exame sobre a matéria dada nos últimos três anos. Vai daí, era ver o pessoal a "esfalfar-se" para conseguir, pelo menos, chegar aos catorze valores todos os anos.
E como refere, que bem que sabiam aquelas dispensas de exame.
No meu caso, dispensei a outras, mas aquela que maior satisfação me deu foi a dispensa da que englobava as Noções do Comércio (3º ano), o Direito Comercial (4º ano)e a Economia Política (5º ano). Fazer aquele exame era obra e poucos dispensavam.
Mas aquelas dispensas que bem faziam ao ego de uma adolescente de 13/14 anos - que até passou o dia 10 de Junho inteirinho (calcule-se!) metida no quarto a decorar leis, e leis, e leis... e o professor no outro dia da chamada oral falta!)
Mas pelos vistos valeu a pena.
Havia decência. :))


De Zaida a 27 de Março de 2012 às 17:59
Os do Liceu tb tinham que fazer exames relativo aos 3 anos . (3º,4º,5º) em ciências tinhamos 9 livros relativos ao três anos . Botânica , zoologia e mineralogia. (três livros por ano).
De tresgues a 27 de Março de 2012 às 18:07
Esclarecimento recebido. ;)
De Traquinasmother a 28 de Março de 2012 às 15:42

Eu nunca fiz Exames..e confesso que fariam falta..
Eu sou do tempo em que se andava(e continuam) a fazer experiências no/com o Sistema de Ensino..

A minha filhota ainda fez o 4º ano aí em Portugal e teve prova( Português e Matemática)...mas ao meu pequeno aqui, na terra de nuestros hermanos, este ano decidiram que não há provas..não sei se devido á crise..ó porque lhes deu na gana....
De tresgues a 28 de Março de 2012 às 16:01
O problema tb é esse das experiências e mais experiências, cada vez que há um novo governo.
Mas, reduzir a fasquia do aproveitamento, facilitando-o cada vez mais, para que as estatísticas nacionais aumentem, não me parece um bom caminho para o sucesso da educação... nem de ninguém.

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