Quinta-feira, 5 de Abril de 2012

A falta dele transforma-me

Falo, como é evidente, da falta do sono.

 

Sempre precisei muito de dormir. Oito horas. Dez.

(E alturas houve em que só lá ia com doze. Com a idade toda a coisa diminui.)

Assim, sim, eu era eu. Com todos os defeitos e virtudes. Mas eu.

Agora preciso de um pouco menos, mas seis horas de sono ainda não me conduzem a um estado de perfeita saúde mental. 

Ou de outras saúdes, diversas da mental.

Ontem foi dia de muitos afazeres e, coisa ruim em mim - portanto, com poucas horas daquela coisa que "me faz ser um ser" pleno de inteligência - não só aparente, como também efectiva.

Resultado, saio de casa sem porta-moedas quando precisava de fazer pagamentos. Pequenos, mas pagamentos.

Tenho sempre comigo - ou no carro - alguns extras para estas eventualidades.

Mas, desta vez, fui ver e esses extras já tinham ido todos à vida deles - noutros dias em que estava, também, transformada.

Eu não acredito - pensei, quando reparei que, devido ao adiantado da hora, já não podia voltar atrás.

Mas, como uma estrelinha por vezes me ilumina lá em cima, lembrei-me e pensei:

- Olha, tenho o assunto resolvido para já. Aquele pouco dinheiro que ontem me deram ainda está aqui na pasta. Pouco, mas dá para a falha que até é pequena. Depois conserto a falha.

E assim foi.

Eis que, ao almoço, amigas se juntam para o combinado. E eu:

- Ou vou a casa ou alguém me paga o almoço. Não tenho um "tusto".

E assim foi.

Pagaram-me o almoço. Comi. E continuei sem "tusto".

Com receio de ter mais algum dia de transformação pessoal e de me esquecer de pagar a respectiva dívida, sugeri que fossemos a minha casa beber um chá e, lá, saldaria - devida e convenientemente - a minha dívida.

Fomos.

Fui procurar a carteira. Achei. Fui fazer o chá. Bebemos. Fui buscar fotos muito antigas. Vimos. Rimos e quase chorámos.

Prometemos continuar noutro dia porque o meu espólio fotográfico não se esgota em duas ou três horas.

Acompanho-as à saída e, já na rua, no parque de estacionamento me recordo:

- Olha, não te paguei o almoço. Então, espera aí, viemos cá para isso...

- Não faz mal, pagas-me o próximo. Com sobremesa.

Entrei em casa. Já não saí.

Pus-me a ver o Benfica. Barafustei. Gritei. Ele perdeu.

Telefonei a uma amiga benfiquista a dar os parabéns. Fazia anos.

Transformada. Cansada. Triste. Adormeci.

Não sonhei.

 

Dormi sete horas.

 

A minha vida não é, assim, um the life of flowers.

Não. Não é da idade. Sempre foi assim.

Pode estar um bocadinho pior. Mais nada.

publicado por tresgues às 09:39
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comentários:
De loengo a 5 de Abril de 2012 às 11:13
Bem, um dia atarefado!!! Mas, bem passado.
Esquece o porta moedas e esquece-se de dormir!!!
Estou a ver... que transformação!!!
Coisa boa, não esquece a boa disposição.
De tresgues a 5 de Abril de 2012 às 13:30
Eu não me esqueço de dormir!
O dormir é que, às vezes, se esquece de mim.
Nesse dia a culpa até foi do telefone que tocou à uma da matina (via América Latina).
Rima. E é verdade.
E uma pessoa fica transformada... duplamente.
De Margarida a 5 de Abril de 2012 às 11:55
A falta de sono transforma-nos e a falta de dinheiro também! ;-)
De tresgues a 5 de Abril de 2012 às 13:33
Essa é que é essa.
Por isso eu gostava tanto que não houvesse dinheiro.
Só trocas de serviços.
A amiga pagava o almoço. Eu, para além de uma tarde em amena cavaqueira, dava-lhe o chá!
E ficávamos quites.
De Zaza a 9 de Abril de 2012 às 17:36
Pois eu também adoro dormir!!!! mas como ainda não estou transformada, nem sei se isso irá acontecer.... tenho mesmo que ficar muito atenta. Hoje quando queria pagar o café da manhã...niente..... porta moedas tinha ficado em casa.... o que vale é que sou uma pessoa muito conhecida cá na terra e deixaram-me sair..eheheh....
De tresgues a 9 de Abril de 2012 às 19:41
Mas só podia!
Soubeste do meu caso, foste logo imitar!
A mim, já me aconteceu ir tomar café sem dinheiro a um determinado sítio, pela primeira vez.
Voltei lá no outro dia.
Outra vez, fui tomar a bica sem dinheiro e o arrumador pagou - porque ele fez muita questão disso. Voltei lá para pagar, nunca mais quis receber nada de "moi". Estacionamento sempre à borla! E mais um amigo, "sotôra"...
Ralações. ;))

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