Segunda-feira, 7 de Janeiro de 2013

Eles e elas

Todos diferentes, todos iguais. Quase iguais.

Homens e mulheres. Rapazes e raparigas. Meninos e meninas.

Mas o que se passa é o seguinte e tão simples como isto:

♦Se elas falam da vida alheia - que não é exclusivo feminino -  é «coscuvilhice»;

♦Se eles falam da vida alheia - idem, idem, aspas, aspas -  é «curiosidade saudável».

Isto é, eles e elas não são assim tão diferentes como por aí se faz crer. O comportamento só é avaliado de forma diferente - segundo o estudo de uma portuguesa, professora da universidade de Leeds, no Reino Unido. «Tudo isto fruto das normas e regras incutidas pela sociedade, que determinam, por exemplo, que um homem não pode chorar ou que uma rapariga tem que ser magra.» - in Destak. (Acho que estas duas normas começam aos poucos, e muito, muito, devagar a normalizar. Pelo menos são faladas qb.)

O que ainda me faz alguma espécie é que ande por aí muito boa gente a defender o contrário. Gente que, mesmo que diga que concorda com esta evidência, os seus actos não têm correspondência com as suas falas. Ainda ontem ouvi o seguinte, num miradouro de Lisboa: "Olha, para isto. Elas são iguais a eles. Bebem e fumam tanto como eles."

Ou seja, não é o problema do fumar faz mal à saúde, ou o do beber demais pode ser prejudicial à mesma saúde. Não. Até porque nem vi ninguém a beber demais. (Lá mais para a noite até já poderia dizer o contrário, mas ainda era bem de dia.:) O problema é: "Olha-me para isto. Elas são iguais a eles!"

Segundo a investigadora este processo pode parecer «banal», mas tem «efeitos nocivos». Concordo plenamente.

E o livro «Fazendo Género no Recreio: a Negociação do Género e Sexualidade entre Jovens na Escola» poderá ser de grande ajuda, pois «quando as pessoas têm consciência críticas das coisas estas podem mudar». No entanto, quer parecer-me que ainda vai demorar uns "tempos dos grandes" a pôr as coisas no seu devido lugar. Perguntem-me lá porquê, se não souberem a razão (♦).

 

Muito boa semana.

Para eles e, evidentemente, para elas.

 

(♦) Os homens fazem a sua própria história, mas não o fazem como querem... a tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. Karl Marx.       

publicado por tresgues às 11:26
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