Segunda-feira, 2 de Setembro de 2013

Esta Lisboa que eu amo

Lisboa foi eleita a melhor cidade europeia para 'city breaks', viagens de  curta duração com apenas uma cidade como destino, nos World Travel Awards (WTA), distinção que a  capital portuguesa já obteve por três vezes nos últimos cinco anos. - Expresso.

 

Distinções, eleições, prémios bem merecidos. E muito bem recebidos.

Tive o privilégio de morar na Graça, andar na primária dos Anjos, subir as escadinhas para visitar a Senhora do Monte e o Miradouro, nas noites quentes de Verão, seguidas de um refresco de limão. Ir às compras com a mãe ao mercado do Forno do Tijolo. Ir ao circo do Coliseu todos os natais. Tirar uma fotografia com o Pai Natal na rua "do andar a pé" e outra, com os pais, perto da estação do Rossio. Sim, antigamente, havia fotógrafos de rua em Lisboa que nos "assaltavam", quais paparazzis de gentes famosas - que ainda não abundavam como agora. Ter sempre muita fome cada vez que avistava a pastelaria Castanheira, ali para os lados da Ginjinha, na Rua das Portas de Santo Antão - aquela que eu na altura não ligava, mas que hoje não me escapa quando lá passo. Ou faço por passar. Subir o Chiado, ir às compras ao Eduardo Martins ou aos Grandes Armazéns. Ir à Rua da Conceição buscar botões para a avó. Visitar o Jardim Zoológico de vez em quando. Ir fazer piqueniques a Monsanto, onde fui tendo um acidente, ao largar a mão da minha mãe e correr desenfreada à frente do autocarro para lá chegar mais depressa. Ir esperar o meu pai à saída do trabalho, ali mesmo na Praça do Município. Passear pela Praça da Figueira, pela do Comércio ou pela do Martim Moniz. Ir aos armazéns do Conde Barão comprar um fato de banho ou uns calções de verão. Subir a Rua das Pretas para ir com a mãe ao dentista. Descer e subir a Avenida da Liberdade num domingo ao luar. Fazer compras na rua Augusta, na rua da Prata, do Ouro ou dos Fanqueiros. Ouvir os pregões matinais da fava rica, ou dos do figos da capa rota, quem quer figos, quem quer almoçar, e depois puxá-los até à varanda,  num cesto preso a uma corda e fazê-lo descer, novamente, com o dinheiro para pagamento, para depois o voltar a subir, com o respectivo troco. Atravessar de barco para a outra banda. E ver o Tejo. E ver Lisboa do outro lado. E as gaivotas no cais. E os pombos na praça. E visitar os amigos de Campolide. E os outros que moravam mesmo em frente à Fonte Luminosa. E ouvir o barulho da água a cair. E olhar o brilho das estrelas a saltar por cima da fonte.

 

Agora já sabem porque adoro Lisboa. Foi só a minha casa desde os três anos de idade. Apesar de já ter vivido noutras casas.

E agora, um pouco mais velhinha (!?... mais crescida, queria eu dizer), descubro recantos e redescubro encantos. Como se fosse a primeira vez. E redescubro a Bica e o Cais do Sodré. E Alfama e a Mouraria. E a Sé. Subo no 28. Depois vou a pé. E ao ver novas lojas, novos espaços, novos recantos e quiosques, e esplanadas a despontar, e turistas encantados, em fila, a fotografar, a filmar... tudo quanto é tão nosso, tão intenso e tão bonito , não posso deixar de sentir aquele grande orgulho desta Lisboa que eu amo.

 

 

Só uns reparos:

1 - Para quando apostar na verificação anti-sísmica dos edifícios? Só pintar a cara é bonito mas, para mim, não chega.

2 - Para quando apostar a sério na limpeza das ruas? Por que não, "cada porta", de cada casa, cuidar do seu próprio espaço e, caso não o faça, ser punido ou... até ter uma recompensa de incentivo?

3 - Por que não punir os donos dos Pituchos e dos Bobys que não limpam o que os seus lindos fazem, por esses lindos recantos fora que, depois, parecem tão horrorosos, de tão mal cheirosos?

4  - Por que não proibir à séria os grafites que não o são, só porque apetece dizer ao mundo, e a Lisboa em particular, que a Sara é sexy  ou que o Sasha passou naquele Beco às tantas horas e adorou? Já agora podia haver em cada beco, rua ou viela, uma ardósia para que os turistas, e não só, lá escrevessem o que lhes vai na alma. Encantados como os vemos, só nos orgulhariam. 

 

Vá, por hoje já chega. Não quero incomodar. Só que, quem ama, também pode, e deve, apontar erros, sem que o amado leve a mal. 

É para seu bem. E de todos.

Boa semana.

publicado por tresgues às 16:48
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