Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

Os animais são nossos amigos...

 

Mas mesmo muito.

Muito nossos amigos.

 

Há uns anos, tive uma osga a viver no chamado "quarto amarelo" do sótão. Chamava-se Marilu e esteve lá durante uns anitos. O tecto é alto e chegar lá... é problemático.

No quarto ao lado, no chamado "quarto azul", viveu a Lucrécia. Prima, ou cunhada, da primeira.

E já não falo das visitas que estas duas personagens tinham, dia sim, dia não - para não dizer todos os dias - nas restantes partes da casa.

 

Continuando...

 

Noutra ocasião, na mesma casa, entra-me pela cozinha dentro uma ratazana tão grande, que nem eu, nem o cão, nem o  gato - três criaturas sem medo de "quase nada" - conseguimos ficar indiferentes. Aliás, tanto eu como o gato que era preto, gordo e anafado, disputámos, ao mesmo tempo, o primeiro banco que nos apareceu à frente, até que alguém corresse com a "dita criatura" dali para fora.

O gato, por acaso, foi o último a sair do banco.

 

O ano passado, aqui, tive uns tais "emplastros" duns texugos, ou lá o que eram, que resolveram ir prevaricar, todas as noites, mesmo por cima do meu quarto.

Berravam como "gente grande" quando se avistavam. Corriam que nem uns desalmados ao encontro uns dos outros. Pulavam e guinchavam, simultaneamente, de tanto contentamento!

E eu, de início, com cara de "gente pequena", sem perceber nada do que se estava a passar, de olhos arregalados e quase sem respirar, em vez de dormir o tal sono dos justos.

 

O mês passado, em Lisboa, uma gata resolveu ir ter os filhotes dentro de um pote antigo que tenho deitado no chão do quintal.

Já tinha regado o quintal todo, quando me apercebo que, afinal, o pote não mexia, nem rebolava sozinho, por causa do bater da mangueira...

Não. Não era carnaval. Nem a "Mangueira" ali desfilava.

 

Nessa mesma altura e no mesmo sítio, uma outra "senhora" gata resolveu levar os filhinhos já maiorezinhos para um local de gente boa... de gente de bem.

Para uma melhor educação.

Assim sendo, vai daí, entra pela fresta da janela, vai ao meu quarto - mas não a seduz, talvez porque demasiadas almofadas sejam contraproducentes a um levantar cedo;

Segue para o quarto da filha - não fica, talvez porque a luz do "pseudo-vitral"  não seja aconselhada ao bom descanso;

Sobe as escadas, entra no "quarto amarelo", dá um pássaro (vi as penas) a comer aos filhos, mas como estes deixam a colcha suja... é melhor não;

Finalmente, entra no "quarto azul" e que maravilha!

Nada mais profícuo a uma esmerada e completa educação, que deixar as criancinhas crescerem sabendo que  "O 25 de Abril aconteceu" e, assim sendo, nada melhor que deixá-los dentro de umas cartolinas enroladas, com um grande trabalho sobre a revolução dos cravos e, aprenderem logo ali, que "a Paz, o Pão, a Habitação" é de todos os que a conquistaram!!!

 

Anteontem, visitaram-me durante toda a noite, aquilo que penso ser umas melgas alemãs. Espertas, escondiam-se debaixo da minha cama quando eu acendia a luz. Demorei a noite toda a dar com tamanhas miniaturas de Deus. Sim, que aquilo não eram criaturas. Eram miniaturas de criaturas.

 

Ontem, depois daquela noite deveras empolgante, já de manhã, ao sairmos com o carro, só conseguíamos meter a primeira mudança. As outras arranhavam e não entravam de maneira nenhuma.

Resultado?

Andar de carro a "vinte e trinta, sempre na esgalha", com um cortejo deveras considerável atrás de nós, numa de apreciar a paisagem que se estende, logo de manhã, à beira-rio em direcção à Wolksvagem, é de recomendar a qualquer um.

Depois de minuciosa inspecção, a setença: "Ratazanas das grandes, está a ver?"  

Fizeram o ninho no motor e deixaram lá, prontinho a servir, o "piqueno almoço" para a respectiva prole, ou seja, um papo-seco!

Coisa pouca. A sorte é que saímos cedo e não lhes demos tempo de irem comprar o conduto.

 

Os animais são nossos amigos. São.

Mas cada um na sua casinha é que é bonito.

E a propósito! Lembrei-me agora.

Onde é casa das melgas?!

Onde é que elas a fizeram... ou compraram... ou pagam renda?

 

É que, afinal  de contas, "Só há liberdade a sério (...) quando pertencer ao povo o que o povo produzir."

 

E muito bem! Muito bem!

 

PS: Este "Muito bem!" "Muito bem!" ,agora, fez-me lembrar qualquer coisa conhecido!

 

 

 

publicado por tresgues às 16:56
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comentários:
De F a 21 de Agosto de 2008 às 17:18
Por isso, é que gosto muito de um certo sofá... mesmo em frente à lareira.
Segredava-me, o meu sexto sentido:
- Aqui é que ficas bem...
Pode acontecer... Depois de amena conversa regada a chazinho da praxe e temperada com uma boa doze de sã e ruidosa gargalhada e, depois, já a dormitar ouvires:
- Pss ... pss ...daqui para fora. Olha... olha... refastelada, no quarto amarelo? Graaande lata!!!
De olhos esbogalhados! amarela às riscas azuis! dás de olhos com uma prima cunhada ou cunhada prima da família Marilu Lucrécia.
Ufa... desses encontros, não. Osgas pitosgas a falarem? E, ainda por cima com nome de gente? Prefiro candeeiros que acendem e apagam à passagem de certas pessoas que são gente a sério. Falando em candeeiros, gata esperta!!!
Será que esteve a investigar o paradeiro de um certo dezoito? Sim, esse mesmo que deu sumiço... e nunca mais ninguém lhe pôs as vistas em cima.
Facto que, ainda hoje, incomoda a nossa amiga FF . Não digeriu... Como ela bem o diz, ainda, cá está... deixou dúvidas.
F, porque não te callas ?
Ora, ainda, queria falar dos outros amigos da amiga GG : texugos, ratazanas, melgas...
Calla-te, ó melga;)))
De tresgues a 21 de Agosto de 2008 às 21:12
Não é só candeeiros que acendam e apagam à nossa passagem (um parêntesis para perguntar por essa menina da outra banda e respectivo marido... desde o Sto. António que não lhes ponho a vista em cima. Qué feito?) Continuando...
E aquelas famosas árvores que falam pelos cotovelos mal estamos dois dias em Cáceres?
Hum????????????

De tresgues a 21 de Agosto de 2008 às 21:20
Ah! Esqueci-me de dizer que, no tempo da osga Marilú havia um hóspede permanente nesse quarto. Meu sobrinho. E quando eu lhe perguntava se ele não tinha nojo ou receio de lá dormir, ele respondia-me: "Olha, eu até durmo de boca aberta, fico logo com o pequeno almoço tomado!"
De Alexandre Kulcinskaia a 20 de Maio de 2009 às 16:29
Gostava de ter metade da tua coragem para enfrentar todos esses bichos.
Sou um mariconço. Ainda por cima grande, se fosse um tipo pequenino e magrinho, mas não. Como sou uma besta todos acham que não devo ter receio ou nojo dessa bicharada toda.
___________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/
De tresgues a 20 de Maio de 2009 às 19:14
Olha! A primeira vez que eu vi uma osga grande cá em casa, daquelas mesmo gordinhas, (estás a ver?) estava com uma amiga que telefonou ao marido - que trabalhava aqui perto - que viesse matá-la. O marido, pai de filhos, é pior do que tu!;) Obtivemos uma resposta negativa. Aí, lembrei-me da minha avó, (que as matava tão bem), e como não queria que ela se passeasse mais por casa (ainda ía dar ao quarto da filha e ía ter um problema para o resto da vida) matei-a eu. A partir daí, o medo (mais a repulsa) foi-se.
Mas sabes como matá-las? Primeiro aplicas-lhe spray mata-moscas. Deixa-as atordoadas e "pimba". É mais fácil. (Se não fossem tão repugnantes, já estava com pena delas). As mais pequenas ficam logo ali caídas no chão e as maiores ficam drogadas.
(Espero que a associação dos direitos dos animais não me processe. Parece que elas até são úteis no jardim. Mas quem é que as manda entrar na minha casa? É invasão de propriedade privada, bolas!)
De Alexandre Kulcinskaia a 20 de Maio de 2009 às 21:54
Tens razão. Entrando na casa das pessoas passam a ser uns intrusos.
Já tinha ouvido essa do spray, mas onde é que arranjo coragem para chegar com o spray ao pé delas. Começam a mexer e eu tenho logo ali um colapso.
___________________________
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De tresgues a 21 de Maio de 2009 às 00:24
Pronto! Lá me ri, novamente, com vontade!
Mas não precisas de chegar com o spray mesmo em cima delas. Basta uma distância de... sei lá... meio metro. Depois, assim que elas vão ficando mais paradas ou, se pelo contrário começam a fugir dás-lhe com mais força... que elas param logo. Aí, já tens o pau da vassoura à mão e... o resto já sabes!
Por outro lado, se por qualquer motivo não as conseguires abater e elas se esconderem algures, podes ter a certeza que elas não vão longe. E vais, mais tarde, encontrá-la sossegadinha, no seu repouso final.
(Mas hoje é que foi uma conversa!? ;))
Quem por aqui passar de repente, ainda acha que te estou a dar lições de "criminologia";))))
De Alexandre Kulcinskaia a 21 de Maio de 2009 às 10:57
Ainda vais ter os tipos do CSI a bater-te à porta.
De qualquer das maneiras temo que nunca vá conseguir abater um desses animais ferozes que são as osgas.
Vou comprar uma grande espingarda e começo a disparar cada vez que vir uma. É um dois em um, mato a osga e abro novas clarabóias cá em casa.
___________________________
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