Terça-feira, 3 de Março de 2009

"A boa dona de casa não é só económica"... E então?

Foi este, o título de um dos capítulo do caderno de Economia Doméstica - disciplina feminina e integrante do antigo Curso Geral do Comércio, leccionada a meninas de treze, catorze ou quinze anos  - e que, ontem, encontrei numas pequenas arrumações. 

Sim.

Que eu gosto de ser arranjada e metódica.

Nem sempre sou.

Tenho boas intenções mas, às vezes, gosto de me esquecer de ser diligente e activa:( 

 

Data de 1968, e passo a transcrever na íntegra e ipsis-verbis - só para vós.

Deliciem-se:

 

A boa dona de casa não é só económica:

poupa e aproveita - e gasta sempre menos do que dispõe;

é eficiente - conhece todas as tarefas domésticas realizadas com perfeição e rapidez;

sabe por onde deve começar - e o que é mais oportuno em cada momento;

arranjada e metódica - tem um lugar para cada coisa e cada coisa no seu lugar; nunca desconhece o paradeiro do mais pequeno objecto;

asseada - sabe que a higiene é a base da saúde e que lhe compete conservá-la;

diligente e activa - sabe que nos seus deveres de dona de casa não pode haver paragens nem desleixos;

consciente dos seus deveres - sabe que nas suas mãos repousam a boa ordem da vida na casa;

prudente e previdente - prevê as "inventualidades" desagradáveis e tem sempre à mão o remédio e a solução. Pensa no futuro tanto como no presente.

 

(Como se isto já não bastasse, continua no capítulo seguinte):

 

A boa dona de casa é, sem dúvida tudo isto, mas também é:

alegre e bem disposta,

♦ calma, paciente e compreensiva;

♦ digna e consciente dos seus direitos e da sua posição dentro do lar;

♦ capaz de ouvir e consolar;

♦ culta e esclarecedora;

♦ sempre pronta para encarar problemas e apta para encontrar soluções;

♦ colaboradora do marido em todos os momentos e circunstâncias;

♦ companheira e confidente dos filhos, boa vizinha, boa amiga e boa filha, mais capaz de dar ajuda do que a pedir;

♦ capaz de criar à sua volta uma atmosfera de paz e tranquilidade;

♦ capaz de tomar atitudes, saber dizer um não e um sim, consoante as circunstâncias;

♦ arranjada e atraente na sua pessoa;

♦  preocupada acima de tudo pela felicidade da família e disposta a dar-se por ela;

 

♦Que tu sejas tudo isso e serás feliz e farás os teus: porque a felicidade é um círculo fechado: da tua depende a deles e da deles depende a tua. 

 

"Ó gentes da minha terra da minha terra"... Não querendo influenciar, deixo em aberto o debate que, muito sinceramente, gostaria de ver por aqui.

Mas, ainda assim, apetece-me perguntar: E não tinha um blog

 

Não?

Não tinha vagar.

Lavava a roupa com OMO...

No tanque!

 

PS: Haverá nova transcrição, desta vez mais pequena - e respeitante à Economia Doméstica, propriamente dita.

Fiquem bem.   

publicado por tresgues às 09:21
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comentários:
De Cena a 4 de Março de 2009 às 11:05
E será q existe alguma mulher capaz de fazer td isto na perfeição e ainda ter um sorriso nos lábios ? Capaz de ser mãe, mulher, esposa, dona de casa, objecto sexual, criada, escrava da própria família ?...
De tresgues a 4 de Março de 2009 às 18:40
Pois... Assim parece. :(
E ainda havia outro problema: é que eles não tinham Economia Doméstica... Nem Educação Masculina... Como havia, por exemplo, Educação Feminina nos cursos industriais para as meninas. Eles tinham mecânica, electricidade, etc... Que era bem bom, entenda-se... Mas a tal educação nem vê-la!
E, que eu saiba, eles até "mereciam" tê-la.
Felizmente, mudam-se os tempos...
Mas, nem sempre, todas as vontades!
De Alexandre Kulcinskaia a 4 de Março de 2009 às 16:20
Ainda dizem que antigamente havia machismo.
Até instruções havia para facilitar a vida a toda e qualquer mulher.
Estou a brincar como é óbvio.
___________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/
De tresgues a 4 de Março de 2009 às 18:47
Pois é!!!
O problema era deles, coitadinhos.
Como já comentei... Não havia instruções para facilitar a vida "a todo e qualquer homem".
E eles, coitados, lá se íam desenrascando "o pior que podiam".
Será que estou a brincar, "como é óbvio"?
Mas pronto! Isto era nos anos sessenta... Obviamente!
De df a 4 de Março de 2009 às 20:34
Bem.... eu ainda sou do tempo....
Era tudo diferente, as mulheres de facto trabalhavam muito, dentro e fora de casa, os homens só sabiam de mecânica e outras coisas técnicas, mas.... uma coisa se mantém: OS FILHOS SÃO O MAIS IMPORTANTE! Por eles fizeram-se muitos trabalhos domésticos e não só, sempre com o objectivo de os mimar! Parabéns aos pais que o souberam e sabem mimar QB !
De tresgues a 5 de Março de 2009 às 00:13
E os trabalhos domésticos que se faziam - tanto pelos pais como pelas mães (desconfio que já se fazem menos), por eles - e com eles - também os ensinava a serem criativos, a ocuparem os tempos livres, a economizar e reciclar materiais... I.e., o que se chama educar pelo exemplo.
Essa do mimar QB, também concordo.
Mas... Será que tudo o que era exigido na altura às mulheres também era exigido aos homens? Hum...
Infelizmente, todos sabemos bem que não.
O homem até trabalhava fora para sustentar a família, mas, a maioria, também não gostava nada de ver as suas esposas fazê-lo fora de casa... E o trabalho delas, em casa, não era trabalho.
"O que faz a sua esposa?"
"Nada. Está em casa."
Era assim.
Não foi assim há tanto tempo.
Hoje, para bem de todos, há mudanças positivas.
Mas... Nem sempre. E nem sempre são bem aceites.
Obrigada por aparecer por aqui e, mais ainda, por comentar.
De mayara a 6 de Abril de 2010 às 02:36
Na realidade o texto è muito coerente e sensato. E digo mais se eu tivesse uma filha e pudesse a colocaria em um curso desse porte!
As mulheres conquistaram muitos direitos maravilhosos mais tambèm devem ter seus deveres.
A responsabilidade da harmonia no lar è muito valoroza e sem ela uma casa pode andar sem equilibrio algum. Acho mt importante termos nossos direitos mais tb acho importante nao fecharmos os olhos para o fato da importancia da dona de casa e da esposa e mae presente no lar.
Mulheres podem melhorar um mundo começando pela educaçao de seus filhos e pelo zelo do lar. Mais infelizmente isso perdeu a importancia e avalia os lares modernos e me digam: Esta dando certo?
De tresgues a 8 de Abril de 2010 às 12:55
Concordo com muito do que diz.
E também espero que se tivesse um filho varão o educaria de igual modo. Ambos, mulheres e homens, deverão zelar pelo seu lar, pela educação dos respectivos filhos, pela harmonia... etc, etc.
Talvez nalguns lares modernos se tenham perdido muitos valores, respeito mútuo... e etc, etc.
Por isso não está dando certo.
Obrigada pela visita. ;)

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