Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

Saias curtas e decotes... Fio dental e elástico D&G.

Caríssimos/as:

Hoje tinha outra coisa para falar.

Mas li esta notícia e não resisti.

Fez-me lembrar uma notícia igual.

Esta, surgiu na escola onde eu era aluna.

Não foi há muito tempo. Foi só no tempo da "outra senhora".

Também foi noticiada na imprensa.

E só sei que não obedeci, espontaneamente, à ordem.

E também sei que, para entrar na escola, o porteiro me descoseu a bainha da bata com uma tesoura. Sei que fiquei fula. Sei que considerei qualquer coisa que não sabia explicar mas que me indignava. Sabia que que a saia não estava assim tão curta - porque era a minha avó que me fazia o fato. E embora fosse uma pessoa sempre a par da moda, tinha muito bom gosto e não me deixaria, nunca, cair no ridículo.

Havia bem pior na escola.

E havia bem pior... Mesmo sem mini-saia.

 

Por outro lado, a primeira vez que me confessei, na mesma escola, o Sr. Padre não me encontrando pecados de maior (e eu fui sincera!) mandou-me rezar dez Ave-marias por trazer a saia de um comprimento tal que fazia pecar todos os meus colegas rapazes e todos os homens!!! Mas, por acaso, não me disse que não a vestisse mais...

 

Mais uma vez, achei que qualquer coisa ali não estava a bater muito bem.

Não me senti confortável. Eu tinha só uns treze, catorze anos e vos garanto que todo o meu comportamento era de uma criança dessa idade. (Se até ainda hoje me sinto assim... :)

Em casa, a minha mãe e avó - ambas com personalidades muito discretas -felizmente, concordaram comigo.

Sabem que nunca mais me confessei?

Vou à missa quando me apetece ou entro com gosto numa igreja vazia.

Mas aquele episódio desarmou-me por completo. 

 

No entanto, hoje em dia, devo confessar (só a  vós;)) que a moda ultrapassou os limites do bom gosto. Só isso. Porque o resto, como já outro dia referi, noutra situação, "a repetição conduz à habituação" e a pessoa "que é pessoa que deve continuar assim" já nem liga! :))

Torna-se banal.

 

No entanto - não sei as reacções destes adolescentes - mas proibir penso não ser, nestas situações, a melhor opção. Não sou contra as regras. Antes pelo contrário. 

Mas, neste caso, acredito em primeiro lugar no exemplo e no diálogo.

Não estamos  a falar de maus comportamentos, certo? Aí o caso muda de figura. 

E a adolescência é assim mesmo. Passa rápido e, mais tarde - se não houver sobressaltos de maior - até consideram esta fase ridícula e perguntam-se :"Como podia eu vestir assim?"

 

Já agora...

E umas aulas de "Bem Vestir Toda a Turma"- com algum especialista no assunto, ou não, mas alguém com bom senso na matéria e a quem os jovens admirem?

Eu tive. Uma professora excepcional que nos falava disso mesmo.

"A verdadeira elegância exclui todo o arrebique exagerado e reside sobretudo na simplicidade." (Extraído do tal caderninho de apontamentos de que já vos falei. Um dia deixo aqui todo o capítulo. É interessante e, hoje, até dá vontade de rir...) 

 

E as batinhas? Não faziam mal nenhum. Tapavam tudo. Mantinham o nosso vestuário em condições e não nos deixavam mostrar as diferenças das "marcas" dos mais ricos e dos mais pobres. Eu sei que muita gente não gostava.

Mas, por acaso - vá-se lá saber porquê - eu que tanto adorava roupa... Gostava da bata! 

As minhas batas também tinham sempre qualquer coisa de original.

Graças ao bom gosto da minha avó e da minha mãe, claro!

 

Para terminar...

1 - Não era mal pensado que o tal exemplo surgisse dos professores e dos funcionários.

É que, salvo raras excepções - e visualmente falando -  grandes decotes e saias curtas assentarão bem melhor em corpos bem mais jovens. Ou não? 

 

2 - Não seria, também, mal pensado proibir certas mamãs de entrar na escola com o fio dental à mostra - e não só - e certos papás com o elástico do Dolce & Gabana a fazer inveja ao fio dental  das mamãs - e não só?  

:
publicado por tresgues às 14:48
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comentários:
De Alexandre Kulcinskaia a 13 de Maio de 2009 às 17:58
Não são só as mamãs...
Lembro-me de nos meus tempos de estudante de ter professoras que se vestiam de forma bem provocante...
Nunca me queixei, mas acho que também elas deveriam ter cuidado como se vestem.
____________________________
http://kulcinskaia.blogs.sapo.pt/
De tresgues a 13 de Maio de 2009 às 20:44
Por isso é que eu digo que "não era mal pensado que o exemplo surgisse dos professores e dos funcionários" também.
Hum...
Mas essa do "nunca me queixei" traz água no bico"...
Ou não. :)))
De Alexandre Kulcinskaia a 13 de Maio de 2009 às 23:20
Pois.
De Bibia a 13 de Maio de 2009 às 22:33
Batas, fardas....enfim , também as usei.De facto, evitam o mal estar entre ricos e pobres...No colégio onde andei, havia muitas "riquezas horrorosas" que faziam de propósito em marcar as diferenças,com tudo o que podiam, exceptuando na roupa!E as freiras?!Essas eram crueis no trato.
Na verdade não tenho saudades dessas vestes!
Como controlar as aberrações do vestuário da adolescencia? Não sei, mas partlho da opinião:começar pelos pais e profs!
De Lili a 13 de Maio de 2009 às 23:28
Talvez seja por ser mais nova,mas nunca usei nem bibes nem fardas,nos meus tempos de escola. Cada um vestia o que a mãe mandava e nada de refilar.Claro que já lá vão alguns anos, não muitos...Depois na minha profissão, ainda usei bata durante alguns anos, mas,fartei-me depressa sujava-se muito ...
Quanto à maneira de vestir, cada um deve vestir o que gosta sem ligar muito às modas.Deve procurar sentir-se confortável e saber usar o que lhe fica bem.
De tresgues a 14 de Maio de 2009 às 00:45
Não? Nunca usou bata? Isso é mesmo estranho.
O que tu queres sei eu!
É parecer mais nova do que eu.
Mas se a bata se sujava muito o que dizer do fato normal? Era muito mais fácil lavar uma só bata do que uma saia, uma blusa, etc, etc.
Mas eu percebo. Às vezes, também me esquecia de vestir a minha. Mesmo quando era obrigatório (e tinha de dar o exemplo.) Isto não era para dizer, mas já está.
Quanto ao resto, muito bem dito. Como sempre.
De tresgues a 14 de Maio de 2009 às 01:06
Por sinal no colégio onde estive (somos mesmo meninas de colégio? brrrr....) as "irmãs" começaram a retirar a farda nessa altura. E pareciam bem mais giras. A primeira a fazê-lo hoje está casada, com filhos e netos... Se não mudou de ideias, entretanto. ;)
De tresgues a 14 de Maio de 2009 às 01:08
Sorry. Ver a resposta mais abaixo...
De tresgues a 14 de Maio de 2009 às 01:11
Olha, Bibia. A resposta para ti está lá no sítio. Isto das respostas aos comentários hoje não está em condições... Ralações! ;)))
De rodrigando a 14 de Maio de 2009 às 00:36
OLá! 0,18 e eis-me de volta.Como sou Auxiliar de Acção Educativa lido diariamente com adolescentes e duma maneira geral são poucos os que se vestem de forma menos própria quer com as mini-saias, com mini tops e até com a nova moda das calças a cair do rabo e com as boxers à mostra. Não me parece que proibir vá resultar .Era preferivel arranjar uma maneira de os fazer olhar bem para si próprios E verem a figura que fazem. Mas quantos adultos se cruzam connosco vestidos da mesma forma? também vamos proibi-los?
De tresgues a 14 de Maio de 2009 às 00:51
Pronto. Estamos de acordo, também. :)))
Mudando de assunto. Fico contente com estes dois últimos comentários. O seu e da minha amiga Lili.
E não é por comentarem nem pela forma como o fazem. É por serem duas pessoas que se iniciaram agora, mas pelos vistos é para continuar.
Estou a gostar!!!

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