Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Anda meio mundo a (querer) enganar o outro meio

Como dizia a minha avó, ou...

A "lei do desenrasca" e salve-se quem puder.

E, no meu país, acontece todos os dias, a qualquer hora e em qualquer lugar.

Acontece também noutros países mas existem grandes diferenças entre Portugal e Alemanha - exemplo que melhor conheço.

Já aqui falei, por alto, no assunto mas não expliquei bem.

Passo a explicar sem descer a muitos pormenores. Porque quando quero fazer valer  os meus direitos faço-o na devida altura e nas instâncias adequadas para o efeito. 

Se tem funcionado? Se tem valido a pena?

Tem. Malgrado a trabalheira, o desgaste físico e psíquico que isso me possa dar.

 

1º EXEMPLO

 

Local - Expo - Lisboa - Portugal

Protagonistas - Eu e senhor ex-guarda-redes.

 

Batem-me de marcha atrás na traseira do carro, "comigo" quase parada. Como vejo um senhor já de certa idade, deveras nervoso, tento tranquilizá-lo dizendo-lhe que há situações bem piores e que tudo faz parte da vida. Resposta do senhor - que, por acaso, é um conhecido dirigente desportivo: "Então fica assim?" - E já a dar com os calcanhares nos pés. "Não! Não fica." E não ficou. Meia hora depois de trânsito interrompido em hora de ponta, mais meia hora para os senhores agentes da autoridade tomarem conta da ocorrência, mais meia a preencher papelada, telefonemas para a companhia de seguro, idas à PSP dos Olivais, idas à oficina - tudo isto com avião no dia seguinte - terminou a saga do dia - que poderia ter sido resolvida na hora. E tudo para que a companhia de seguros do dito senhor dirigente viesse a pagar novecentos e tal euros pelo arranjo - e ainda com direito a usufruir de um carro que até me emprestavam. Como vim embora no dia seguinte, para além de não ser necessário usufruir desse empréstimo ainda foi necessário aborrecer familiares para me irem buscar o carro à oficina e pô-lo em casa.

Tudo bem.

Mas são chatices

 

Local - Heidelberg - Alemanha

Protagonistas - Eu e senhor de BMW (último modelo, claro!)

 

Passado dois dias voltam a bater-me "comigo" totalmente paradinha, aqui na Alemanha. Outro senhor de marcha atrás, vem devagarinho e lá vai disto.

E eu a pensar: "Mas o que é que se passa comigo? Sim. Só pode ser comigo!!!" Ainda mal tinha saído da outra... Livra!

Atitude do senhor? Sai do carro. Vem ter comigo. Pede imensa desculpa pelo incómodo. Olha demoradamente para o meu carro. Não foi nada. Digo-lhe que não é nada. Um pequeno risco que ninguém nota. Quer dar-me o número de telefone na eventualidade de qualquer futura anomalia. Digo que não, obrigada. Pede mais uma vez desculpa e vai embora.

E neste país, age-se sempre assim, em circuntâncias idênticas.

 

Devo acrescentar que, felizmente - e tenho a carta há muitos anos - não chegam a contar-se pelos dedos de uma mão as batidelas... dos senhores. ;)))

 

2º EXEMPLO 

 

Local - Expo - Lisboa - Portugal

Protagonistas: Eu e senhor ex-jogador do Sporting.

 

Aqui, peço deculpa mas não vou entrar em pormenores. Digo-vos só que, neste caso, este senhor (ainda mais novo do que a minha filha) fez-me pensar que eu estava no sítio certo e à hora certa, a fazer a coisa certa -  com uma conhecida empresa local (chamemos-lhe assim) - mas... com as pessoas erradas.

Este senhor jogador - que não identifico, a seu pedido - foi delator de uma situação que, quanto a mim, deveria, no mínimo, correr por toda a nossa judiciária e arredores. Mas assim sendo... Nada feito.

No entanto, depois de mais uma ida ao advogado, mais umas quantas manobras de diversão - (tirem-me deste filme por favor) - mais umas quantas cartas redigidas a anular tudo e mais alguma coisa, a coisa foi desmacarada mas, ainda assim, sem danificar muito o "stresse" dos meliantes.

 

E é isto que incomoda.

 

Mas, nos últimos tempos, já me aconteceu bem pior.

(Eu que até gostava de ser da judiciária por um dia e que, normalmente, sou perita a descodificar certas situações e a não cair em esparrelas!)

Aliás, nas últimas três vezes que estávamos de abalada, eis que surge mais uma.

Cada qual do melhor que se pode encontrar. Mesmo sem encomendar.

Estas duas últimas situações até nem foram das piores. Começamos a estar habituadas.

E o que incomoda é que quem fica sem dormir, dias a fio, somos nós.

Desconfio que os outros... "tudo na maior".

 

Neste último caso só tenho a agradecer ao jovem - que por acaso é um conhecido jogador internacional (pena ser do Sporting - ou não... acho que começo a gostar só mais um bocadinho deste clube ;) que se dirigiu ao sítio de onde tínhamos saído, denunciando a situação que ele, também já fora alvo. E tenho ainda a agradecer à dita empresa, pela dignidade com que tratou o assunto.

Tenho pena que este jogador queira o anonimato. A situação seria mais facilmente denunciada. Mas está no direito dele.

 

Neste caso, felizmente, não pode haver comparação com Portugal vs Alemanha, porque nada deste género nos aconteceu por aqui e esperemos que eu tenha razão e não venha a acontecer.

 

As outras pessoas têm vida de filme?

Eu julgava que a minha era só de telenovela, mas começo a aperceber-me que não, quando ouço o patrão e os empregados da dita empresa, dois dias depois, e ainda em estado de choque:

- Isto é de filme! Isto é um filme autêntico.

- Mas nunca vos aconteceu uma situação similar?

- Nunca!!!

 

Prontosss.

Qu'é qu'hei-de fazer?

E ainda perguntam porque, às vezes, não me apetece farra e só me apetece descansar das agruras da vida?

Tenham dó. Entro em filmes de suspense. Entro. Mas o papel principal sou eu.

Aliás, eu e a filha.

E já me começa a cansar a beleza. E até já se nota! ;)))

 

Qual a grande diferença entre Portugal e Alemanha?

Situações destas podem até acontecer na Alemanha. Mas são raras e quem não as denunciar é considerado pior do que dois ou três prevaricadores juntos. "Mesmo que não seja nada contigo é obrigatório denunciares."

 

Gosto do meu país. Gosto.

 

Mas nestes casos de segurança e cumprir deveres e obrigações - embora, como boa portuguesa, leve de início umas quantas multas por algumas faltas de cumprimento - prefiro, de longe, a Alemanha.

Sabe muito bem viver num país seguro.

Onde se paga, mas se é bem servido.

Onde tudo e todos denunciam tudo e todos. (Às vezes apetece chamar-lhes bufos um nome feio, mas quando somos nós os beneficiados... sabe tão bem e é um descanso tão grande.) 

Onde se cumpre.

E é só.

E penso que o meu país nunca crescerá enquanto não entender  uma coisa tão simples como esta - ou não quiser entender - enquanto não tomar uma atitude - ou não a quiser tomar

O meu país não tem culpa.

Mas o meu país é habitado... (capisce?)

 

Por falar em habitar!

Expo?

Não moro lá! Mas começo a ganhar "rancori" só à palavra.

Bem... sempre há gente de Bem e humilde, como o jogador, para amenizar a coisa.

Mas, quanto aos  demais... Gente de "bem"?

Querem saber? Tenho pena. Pena e... só tenho coisas que me ralem.

 

PS: Como este blog não serve estes propósitos, um dia mais tarde, quando for grande e não tiver tanta coisa para fazer, hei-de escrever o livro da minha vida e contar tudo e tudo, tudo e tudo, tudo e tudo.

Agora tenho outro trabalho para fazer.

 

publicado por tresgues às 11:12
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