Quinta-feira, 5 de Novembro de 2009

Quem vê caras... é porque não olha para os corpos.

Dizem que a Al-Qaeda está em crise - Económico. Gasta demais.

Naquilo que não deve.

Eu, por exemplo, tenho tudo a meu favor para ser uma pessoa muito económica. Diferente da Al-Qaeda, portanto.

Ou seja, tudo me ajuda a gastar de menos. Vejamos, então.

Os cremes faciais, do mais barato ao mais caro, provocam-me borbulhas; os contornos of eyes fazem-me papos que não são de anjo; com o ouro e com a pura lã dou-me mal - provocam-me comichões; o meu estômago aceita melhor um bom vinho tinto do que um bom vinho fino; toda a vida me senti melhor despenteada do que  ao contrário. Mais nova, cheguei a ir a um barbeiro que me cortava o cabelo e o deixava impecavelmente desleixado. E os amigos, que era quem interessava, até gostavam da diferença. Bem mais nova, ainda, cortei-o eu e uma cabeleireira não acreditou. (Já vos tinha dito que era uma pessoa jeitosa, não tinha? Mas nunca vos disse que era mentirosa, pois não? Pronto.) Agora tenho, há muito tempo, um cabeleireiro, como hei-de explicar, assim com alguma pinta. Se eu quiser secar o cabelo, seco, se não quiser, não seco: "Ai, Dª tresgues, gosto de lhe secar o cabelo assim só com as mãos, sem escova... Ai fica tão gira assim... Ai detesto aquelas emproadas... Ai Santo Deus... Há gente por aí que é tão piroso... Não há pachorra!" Estão a ver o estilo? Mas eu gosto dele! Claro. Só podia. Alentejano de alma. Corpo e tudo o resto muito fashion. E assim me despacho num instante e assim ele recebe o mesmo, em menos tempo. Só por curiosidade, fiquei espantada quando ouvi, pela primeira vez, na Alemanha, perguntarem-me: "Quer secar ou secamos nós?" Claro que eu nunca pago este trabalho que é feito por mim e, diga-se de passagem, por quase todas as outras pessoas.

Continuando...

A roupa serve-me desde há anos e por vezes, acho que ainda está muito actual. Ou não. Mas combinado com outra coisa mais in, fica no ponto. No meu, claro! Isto quer dizer que tenho, mais ou menos, mantido o peso devido na proporção da idade -mais jovem, claro! 

Mas há uma coisa que me anda a preocupar. Uma coisa estranha. Se na rua, ou em casa, sem olhar para o espelho - ou se olhar e não vir a cara - acho-me o máximo. Mas, se olho para o espelho e vejo a cara  - que dizem que é o reflexo da nossa alma, ó valha-me Deus! - já não gosto muito do que vejo. Ao contrário do corpo, a cara está diferente "do antigamente"! Eu sei que está. Embora as simpatias avulsas (?) digam que não.

 

As rugas? Quais rugas? Só se forem as de expressão. Pelo menos não sei quais são as outras. Nunca soube distinguir este aspecto. Esta distinção. Também não tenho admiração nenhuma por quem sabe. Um ou outro dente meio torto? Mas isso sempre cá esteve e nunca me fez esquecer de rir.

Bem, aliás, para vos dizer a verdade, nunca me esqueci, também, de um episódio passado na minha adolescência. Se ela marcou? Mais as miúdas normais. A mim, não muito. Então, certa vez, quando numa amena conversa de adolescentes entre os treze, catorze anos - raparigas e rapazes no auge de todas as descobertas - eles resolvem  comparar as mais giras da turma que, neste preciso caso, e segundo opiniões avulsas (?) deles - muito amigas... e muito bem formadas!!! - seria  eu, e a outra tresgues como eu, amigas inseparáveis e com o mesmo nome. Devo dizer que o meu leque de amigos sempre foi maior do que o das amigas. Era recíproca a admiração. Eu achava-os mais "porreiros" do que elas e eles consideravam-nos, às duas, igualmente... "porreiras". Eram eles que nos vinham entregar os bilhetinhos apaixonados dos outros. E nós entregávamos os deles. Amor com amor se paga. Daí estas conversas tão "bio", tão  naturais. Mas também convém aqui acrescentar que éramos como irmãos e nunca - por essa adolescência fora (e não só, diga-se de passagem) me faltaram ao respeito. Seja lá o que isso for. Antes pelo contrário. Era ali defendida com unhas e dentes: "tresgues, acho que o fulano não é para ti". E se estão já a magicar outras coisas, por vezes, ainda acrescentavam: "O sicrano é melhor!" Acho que era por sermos assim pouco "meninas não me toques" e, com falta de peneiras, nos sentávamos na relva, cantávamos, assobiávamos, contávamos anedotas, saltávamos ao eixo, jogávamos ao mata, dávamos cambalhotas, trocávamos apontamentos, algumas cábulas às escondidas - tudo em sã camaradagem e à vista de tudo e todos, ao contrário de. Vocês sabem.

Adiante.

Resolvendo eles, então, comparar-nos à duas, eis que oiço: "Ah! A tresgues 2 (a outra) - tem uma cara mais gira, mas a tresgues 1 (eu) tem um corpo muito mais giro". Um, mais meu amigo, (?) ainda acrescentou: "Ah, mas a tresgues 1 (eu) também tem uns olhos muito giros." É claro que já não ouvi muito bem o resto porque fiquei assim a modos que um pouco chateada. A pessoa gosta de ser toda gira, não é? Mas desde sempre que sou assim uma pessoa descontraída com estas coisas da perfeição física e, como sempre, com um sentido realista, lembro-me de pensar (e hoje penso que pensei tão bem!!!): "É muito maior a extensão da área corporal que me atribuem à beleza, do que aquela que me classificam como, vá lá, "mais a desejar".

Problema resolvido logo ali.

E, desde logo, lá continuei eu, ainda com mais vontade, toda "você não vale nada mas eu gosto de você (própria)", pela rua fora, com uma auto-confiança de fazer inveja a qualquer top model e não só, muito mais consciente do que valia do que anteriormente. Sim, que eu respeitava a opinião deles. Afinal eram eles que melhor nos julgavam e era a opinião deles que me interessava. Claro.

Mas sabem que mais? Sempre temos, pois que, uns óculos escuros (os olhos já não são o que eram), um cabelo, pois que, mais comprido, (que o sr. dos frangos tanto elogia: "Sra tregues, o seu cabelo é lindo, tão brilhante... Vê-se que é uma pessoa saudável."  E eu vejo que ele já está, assim, farto de assar e virar frangos e que, de vez em quando, o fumo lhe entra pelos olhos "adentro". Continuando... E quiçá, um chapéu de Verão ou uma bóina de Inverno também poderão fazer a diferença, ao disfarçarem um pouco essa área menos extensa e "mais a desejar". Pois poderão.

Mas nem é por isso que, às vezes, até uso estes acessórios. É que, se já cheguei até aqui, assim, sem sobressaltos de maior, para quê preocupar-me agora?

Mas que um bocadinho de botox, assim naquela parte "menos extensa" poderia fazer a diferença. Poderia. Mas, e se me causa alergias, borbulhas, comichões ou papos sem ser de anjo?

E o que é que isto tem a ver com a Al-Qaeda?

Pois. Já não me lembro.

Mas que tive uma adolescência sem sobressaltos e que recordo com muito agrado, muito devido à minha maneira de ser e de estar, é bem verdade. Tudo isto sem sentimentos de "Ó tempo volta p´ra trás".

 

Sim. É? Não tem remédio?

O que não tem remédio, remediado está!

Está feito.

Nada de botox!

 

Ah! Já me lembrei.

Eu não sou gastadora como a Al-Qaeda.

 

PS1: Tenho um pequeno jardim em frente da minha casa, onde, pela tarde ou altas horas da noite, um grupo de mais ou menos quinze adolescentes se juntam para rir, tocar viola, cantar, saltar - em coro, alto e bom som. Elas, as meninas, são só umas três ou quatro. Um dia ainda lá vou dizer-lhes que tenham a idade que tiverem, continuem. E que se deixem ficar.

E não é que tenho uma afilhada (quase) adolescente igual a mim? Não sei se os pais gostam. Mas se eu fosse a eles orgulhava-me, tal como eu, da filha que tenho! 

 

PS2: Se amanhã não houver "escolhas" e eu cá não vier, o problema não é comigo. Comigo e com os meus está tudo bem. (É o computador que vai de fim-de-semana com os amigos.)

publicado por tresgues às 09:36
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comentários:
De João Silva a 5 de Novembro de 2009 às 22:41
tresgues!
Tantas interrogações? serão inquietações?

Mas desde quando o espelho reflete a nossa alma?

Com ou sem escolhas, voltarei ao tema.
Hoje estou radiante com mais uma exibição personalizada do nosso Glorioso.

Abraço!
De tresgues a 7 de Novembro de 2009 às 21:56
Olá, João!
(Peço desculpa pelo atraso na resposta, mas a culpa foi mesmo do computador.)
Hum... Quem não tem interrogações? Inquietações?
Mas não era bem essa a mensagem que eu queria transmitir. No entanto, suponho que dei algumas respostas a essas dúvidas. Acho que sim. Não? :(
Às vezes o espelho até reflecte o estado da nossa alma. Sim senhor! Ainda no outro dia, isso aconteceu, quando eu acabei de ver "mais uma exibição personalizada do nosso Glorioso"!
Abraço e bom fim-de-semana.
De João Silva a 8 de Novembro de 2009 às 01:42
tresgues,

Na realidade foi um comentário irreflectido.
Foi lido em "diagonal", e não tive a percepção imediata do teor da mensagem.
Eu é que peço desculpa!

Concerteza que todos nós temos as nossas interrogações e inquietações. Mal seria o contrário.

Disse que voltaria ao tema, mas já não me atrevo a mais considerações, deixo no entanto uma reflexão:

"Há pessoas que transformam o sol numa simples mancha amarela, mas há aquelas que fazem de uma simples mancha amarela o próprio sol."

Bom Domingo!

De tresgues a 8 de Novembro de 2009 às 10:32
Bom dia!
E não é que, mesmo agora, acabada de acordar, abro as janela e está um sol primoroso. Sento-me aqui, leio algumas notícias, olho a janela e, de repente, está tudo cinzento! (É que nem amarelo está!)
Eu sei que o texto saiu enorme e não o revi. Sempre tive um "ligeiro problema": falta de síntese. Este, deixei passar...
Bom domingo, também.
(Obrigada.)
De rodrigando a 6 de Novembro de 2009 às 03:03
Gostei desta maneira desinibida de se analisar enquanto jovem e menos.
Também sempre tive mais amigos do que amigas.Diziam menos mal uns dos outros e as únicas desavenças era quando queriam namorar a mesma amiga (que,felizmente,nunca era eu).Aliás eu brincava dizendo que, se me quisessem perder como amiga, me pedissem namoro.
Também tinha as mesmas razões. Um corpo girissimo e uma cara normal em que só tinha um problema,o nariz.
Ora o meu nariz sempre foi muito meu e, embora por volta dos 13 anos tenha sofrido uma desilusão quando alguém me disse que ele era a "vergonha do sindicato", não sei qual, pertenci a vários e nunca nenhum se queixou. Mas,sindicatos à parte,comprimentos também a verdade é que ele nunca se meteu aonde não era chamado e,para as coisas do dia a dia nunca me deixou ficar mal, por isso e mesmo que pudesse fazê-lo, nunca o transformaria.
Credo,então 62 anos a olhar para o espelho e vê-lo ali bem no meio desta cara meio desavergonhada e depois deixar de o ver nunca me iria habituar.
Quanto às escolhas já nos deixou hoje um cheirinho e, caramba, o pczinho também merece ir passear um fim de semana.Divirtam-se.

De tresgues a 7 de Novembro de 2009 às 22:10
Olá rodrigando!
Este post (nota-se!) foi escrito ao "correr da pena".
Já me ri também, com essa do "nariz do sindicato".
E pode crer que foi mesmo o pczinho que foi com os amigos. Mas já regressou e agora aqui estou eu com ele e com outros amigos.
PS: Vejo que estava bem disposta. Espero que este fim-de-semana passe bem e depressa. E já lá vão dois!!!
Abraço.
De Bibia a 7 de Novembro de 2009 às 12:13
De AL-QAEDA até ao espelho ?!
Que grande, criativo e verdadeiro discurso!
Beijo
De tresgues a 7 de Novembro de 2009 às 22:15
Discurso grande, sim, pelo tamanho. :(
Criativo, não lhe chamaria. Mais um amontoado de ideias, daquelas que vêm atrás umas das outras e, sem lhe pormos travão, deixamos rolar...
Beijo e bom fim-de-semana.
De F a 7 de Novembro de 2009 às 21:36
Já me ri muito, "rir é o melhor remédio" e quando nos é assim, dado em doses de boa escrita e imaginação, é voluntariado... Só escreve assim de si, alguém que esteja muito bem consigo própria. Pois, minha cara, continue, para nosso regalo.
De tresgues a 7 de Novembro de 2009 às 22:20
Pois, minha cara, essa do "voluntariado" - se é para seu regalo - sempre cá estará.
Ainda havemos de falar sobre estes e outros assuntos com muita vontade de tomar o "melhor remédio" - RIR!
Bom fim-de-semana.

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