Domingo, 1 de Junho de 2014

Colo, castigo, tudo ou nada?

Sobre a recente polémica gerada sobre a educação de um filho, hoje - dia da criança - lembrei-me do desgosto que a minha criança tinha quando ía para o infantário. Metia dó, vê-la partir, todos os dias de manhã. Não gritava. Só chorava. Muito. De mansinho. E era isto todos os dias. E deixava-me de rastos.

 

(A foto está tremida. Quando puder vou subtituí-la, sim?)

 

Quando toda a comunidade educativa apontava os benefícios da ida para um infantário, quando todos os filhos de amigas e colegas ADORAVAM o infantário, a minha era o que se vê, na foto, todos os dias de manhã, enquanto esperava que eu tirasse o carro da garagem ou que chegasse a carrinha que a levava para o suposto "inferno", salvo seja! Esteve um ano neste suplício.

De noite acordava num pranto e num soluço: - Os meninos batem, o menino é mau... o menino faz batota...

Para quem sempre dormiu tão bem... algo não estava bem. Antes pelo contrário.

Seria que a minha criança era anti-social? Que horror!!!

(Os outros, se calhar, é que eram - o menino bate, o menino faz batota... mas isso agora não interessa nada.)

 

Senhora do infantário: Não a tire, isso é que era bom. Começa a educá-la bem, começa!

Mas eu não gostava da maneira como a "metiam" na carrinha, nem da maneira como lhe arrancavam das mãos o boneco que teimava em levar sempre de casa - talvez na esperança que aquela recordação lhe fizesse correr melhor o dia.

Médicos, exames médicos, tudo em ordem.

- Doutor, e se eu experimentar tirá-la por uns tempos, para ver o que acontece?

Abençoado doutor:

- Acho bem. Se tem possibilidades, faça-o. Veremos como reage.

Nem queiram saber.

Em oito dias, OITO DIAS depois de um ano de sofrimento (ouviram?) começou a dormir toda a noite seguida, a comer espectacularmente bem e deixou as fraldas por completo, líquidos e sólidos, se é que me entendem. OITO DIAS. Nunca mais pôs os pés num infantário. Soube, depois, que aquele estabelecimento tinha umas regras, a modos que, muito duvidosas. Quem sabe? Boas para uns meninos, horríveis para outros ou outras, como a minha criança. Mais tarde adorou a escola. A única vez que desapareceu de casa, foi para ir para a escola.

 

Hoje, por vezes, falamos sobre esta fase da sua vida.

Diz-me que, no secundário, achava que devia ter algum problema, porque todos os seus colegas falavam de "como gostaram do infantário".

Na faculdade, recompôs-se satisfatóriamente ao constatar que a maioria dos seus colegas DETESTARAM o infantário.

 

E acabamos, normalmente a conversa, nestas últimas duas frases:

Eu - Bem, mas tirei-te de lá!

Ela - Demoraste demasiado tempo. Um ano naquilo foi obra!

 

Mãe sofre. {#emotions_dlg.cry}

 

E esta história resume a conclusão a que cheguei há muito.

Nada na vida é uma ciência exacta. Nem na educação. Umas vezes resulta, outras não. Há que adaptar, experimentar. Todos nós somos diferentes. Crianças e adultos. Uns gostam dos Rolling Stones, outros acham uma parvoeira pegada. Uns dão-se bem na praia, outros melhor no campo. Respeitemos os gostos. As diferenças. E, muitas vezes, estas preferências manifestam-se desde criança. 

Neste caso, costumo dizer que, nós pessoas - adultos e crianças - somos como as plantas ali do meu cantinho - se as obrigo a ficar num sítio que me parece, a mim, mais bonito para ficarem e elas não gostarem de lá ficar, estão anos para se adaptar. E nada. Nem folhas vistosas, nem flores bonitas. E depois, já dei com algumas, cujas sementes foram levadas pelo vento para o meio de umas pedras - sem rega, nem cuidados - e lá estão elas lindas, a crescer saudáveis. Dá que pensar!

 

Feliz dia da criança - que há em todos nós.

Ou devia haver. 

 

PS: Já agora, se não estão bem, mudem-se! É um bonito favor que vos fazem. A vós próprios. A vida é curta, sabiam, adultos? As crianças sei que sabem!

 

publicado por tresgues às 10:28
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