Segunda-feira, 23 de Abril de 2012

"Minto até ao dizer que minto"

Título do livro bem humorado - Contos inéditos, José Luís Peixoto - para ler hoje, dia mundial do livro.

Ou num dia qualquer.

 

Voltámos à rua, encostámo-nos a uma parede e já tínhamos visto tudo aquilo que estávamos a ver. Quando não conhecíamos os rostos de vista, conhecíamos o seu tipo. Estávamos convencidos de que nada nos poderia surpreender, e não estávamos enganados. Éramos como aqueles pilotos que têm x milhares de horas de voo, que anseiam pela reforma, mas que temem não saber como utilizar o tempo livre.

Podemos ter reparado em alguém. Se o fizemos, esse momento perdeu-se para sempre porque não me lembro de nada e tenho a certeza de que também o Mefistófeles não se lembra. Voltámos a entrar, pedimos outro gim-tónico, voltámos a encostar-nos à mesma parede. Ficámos ali um bocado, pasmaceira, talvez vir ao Bairro Alto tenha sido má ideia, é sempre a mesma coisa, e chegaram duas loiras que conversavam e em quem não teria reparado se o Mefistófeles não se tivesse virado para elas. e interrompendo-as, não tivesse dito:

"Var kan jag hyraen cykel?"

Elas riram-se. Quase se engasgaram. Eram suecas. Desde quando é que Mefistófeles falava sueco?

Uma delas disse-lhe qualquer coisa que ele fingiu entender, demonstrando que apenas estava a fingir entender e, logo a seguir, respondeu-lhe:

"Jag skulle vilja ha en enkelbiljett."

Elas riram ainda mais. A partir daqui, a conversa continuou em inglês. Transcrevo-a traduzida, adaptada e sintetizada para maior comodidade de todos, excepto do grande número de possíveis leitores anglófonos (sorry).

O Mefistófeles perguntou-lhes em que parte da Suécia viviam. responderam em coro, Estocolmo.

"Conheço muito bem", disse-lhes.

E começou a falar da culinária, das tradições, dos monumentos, e a contar histórias sobre Estocolmo que elas nunca tinha ouvido.

Eu sabia, tinha a certeza absoluta que ele nunca tinha ido a Estocolmo e, quando consegui, perguntei-lhe em português como sabia tudo aquilo. Falando muito depressa, evitando o risco mínimo de ser entendido por elas, respondeu-me:

"Linoguiaqueestáláemcasa."

E virou-se para elas de sorriso aberto.

Pois era. Lá em casa havia um guia de Estocolmo. Tinha sido abandonado pela velha ou, muito mais provavelmente, por algumas das pessoas que entravam e saíam. O Mefistófeles tanto se esquecia de assuntos fundamentais como se lembrava dos detalhes mais inusitados. Era incrível que tivesse memorizado tanto e que sentisse confiança suficiente para dizer que conhecia Estocolmo, a duas raparigas loiras, de olhos marítimos. tops brancos de lycra, sem soutien, que viviam em Estocolmo. Era incrível que elas acreditassem.

Foi então que perguntaram os nossos nomes.

"Frigorífico", respondeu o Mefistófeles.

 

(págs. 32 a 35)

publicado por tresgues às 12:09
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Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Conversas improváveis de uma sexta-feira santa

Melhor dizendo, discursos improváveis de uma sexta-feira santa.

(foi lapso.)

 

"É sexta-feira, trabalhei a semana inteira"

Não! Isto parece ser um discurso de trabalhador. Trabalhador animado, que quer ir p'rá brincadeira.

Não é discurso de filho-da-puta.

 

Esclarecendo:

Acerca do filho-da-puta, como acerca de muitas outras coisas, correm neste país as mais variadas lendas. Há até quem seja da opinião que o filho-da-puta, a bem dizer, nunca existiu, dado que ele é apenas um modo de mal-dizer. Nada, porém, mais falso.  (...) O filho-da-puta existe. Em todos os lugares, excepto no dicionário. No dicionário existem variados filhos, entre eles o filho-família, o filhastro e o filhote, mas não existe o filho-da-puta. Em compensação, o filho-da-puta existe em todos os outros lugares. Claro que há lugares que ele de preferência ocupa e onde por conseguinte é mais frequente encontrá-lo (...)

(...) é muito difícil reconhecê-los pois o filho-da-puta nem sempre usa sinais distintivos e de resto, há filhos-da-puta que vestem bem e filhos-da-puta que vestem mal, filhos-da-puta garridos e filhos-da-puta soturnos, de uniforme e à paisana, de saias e de calças, de bata branca e de bata preta. Nem sequer é fácil saber se o filho-da-puta te predilecção por este ou por aquele traje, é certo que ele se mostra mais nuns do que noutros (...)

Às vezes é certa delicadeza, certa doçura, certa suavidade do olhar e certo modo de encostar as pernas, e até certo modo de urinar e de defecar (este último sinal nem sempre é francamente detectável) que denota o filho-da-puta.

(...) o filho-da-puta, por si, nunca se define à primera vista, e esse é o primeiro e o principal dos seus traços. À primeira vista, o filho-da-puta diz quase sempre «sim senhor», à primeira vista, o filho-da-puta é sempre assim, «sim senhor». É só depois, às vezes muito depois, é que o filho-da-puta diz que não, «não senhor» (...)

Há filhos-da-puta especializados em fazer e filhos da puta especializados em não deixar fazer (...) Todo filho-da-puta colabora com todo o filho-da-puta na tarefa comum de todos os filhos-da-puta de impedir uma vida despreocupada.

(...) É-se filho-da-puta em full time. De manhã à noite, e de noite até de manhã (...)

Será eterno o filho-da-puta? Sim, tudo leva a crer que sim, que o filho-da-puta é eterno. (...) Um bocadinho triste, apagado, cansado, (...) e, coisa curiosa, ao mesmo tempo ordinário e delicado, muito ordinário e muito delicado, muito muito ordinário e muito muito delicado.

 

É só um breve resumo do que todos podem e devem saber sobre este ser.

Para melhor esclarecimento, sugiro a leitura do livro:

discurso sobre o filho-da-puta, de Alberto Pimenta, Maja Marek, 7 Nós, Maio 2010 , 6ª edição.

Curiosidade extra: 1ª edição em 1977, da Teorema.

 

PS: Aqui, só estão proibidos de comentar - e de se "transformarem" - a partir de hoje, os que por aqui passam antes de 2005.

Curiosidade extra: Este blog teve início em 2008.

 

tenho dito. (é assim que termina todo um discurso sobre o filho-da-puta.) 

publicado por tresgues às 11:53
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Sem escolhas

Mas com Eça. E com essas que a seguir se apresentam. Actualíssimas.

 

♣ "Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal"

(in As Farpas-1872)

 

♦ "Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."

(in"Correspondência"-1891)

 

 

♣ "Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente."

 

(In "Citações e Pensamentos")

 

♦ "Ordinariamente todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?"

(In "O distrito de Évora! - 1867)

 

♣ "Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão."

José Maria Eça de Queiroz - 25 de Novembro de 1845/16 de Agosto de 1900

(via mail)

 

♥ Bom fim de semana.

E mudem. O quiserem.  Faz sempre bem.

publicado por tresgues às 09:07
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Sábado, 15 de Outubro de 2011

Sem escolhas

Ontem, sexta, como vem sendo hábito, não houve "escolhas".

Tinha algumas, mas andam eles, por aí, a deixar-nos sem elas.

E fiz greve.

Esclarecido o assunto, deixo-vos com alguns pontos, algumas frases - que fui apontando - da entrevista de António Lobo Antunes, ontem, na RTP1.

Não são todas transcrições ipsis-verbis - porque ele falava e eu escrevia - mas quase todas:

 

♣ O que fizeste da tua vida? - perguntamos. E esquecemos: O que a vida fez de ti?

♣ Três coisas que não suporto: a mentira, a cobardia, a falta de rigor;

♣ Tive um carro quando tive dinheiro para o comprar;

♣ Olhai, olhai bem, mas vede!

♣ A amizade e o amor são instantâneos e absolutos;

♣ Tenho uma enorme desconfiança das pessoas que só gostam dos substantivos abstractos (honra, glória...);

♣ Um invejoso sofre muito, não é um homem feliz;

♣ O meu grande medo? A perda da capacidade de criar;

♣ Lutei para ser o melhor. E sou. E depois?

♣ Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Somos nós que temos de fazer as grandes decisões da nossa vida. Só temos de nos perguntar: "O que faria eu no meu lugar?", e não a outro qualquer: "O que farias tu no meu lugar?";

♣ Eu não consigo perdoar à classe política e aos grandes grupos económicos;

♣ Por que é que eles querem que as pessoas não sejam cultas? (referindo-se aos actuais programas de tv, como  a casa dos segredos, etc.)

♣ É preciso estar-se muito perdido, para se ser uma pessoa assim. Mas os outros é que vão sofrer com isso (sobre AJJardim);

♣ Estou sempre furioso com Deus mas, às vezes, ele constrói pessoas à sua medida. Mas demora muito...;

♣ Eu revolto-me é quando estou com saúde. Tenho forças para isso. Doente não.;

♣ Ninguém está preparado para morrer. Mas o pior é que poucos estão preparados para viver!

♣ Quem aposta no futuro é porque já se resignou no presente;

♣ A maçada da morte é que se fica morto muito tempo.;

♣ Única frase (não construída e dessas bonitas que geralmente as pessoas usam - sem serem sentidas - acrescento eu, tresgues) que recordo quando estava no hospital: "Aguenta-te!"

♣ Escrever um livro é como uma pessoa encontrar um botão na rua e construir, depois, um fato para o botão;

♣ Eu, agora, peço muito pouco. Peço mais para ter tempo.;

♣ Todos os homens são maricas.. Quando estão com a gripe... Com doenças graves, não.

 

Ai Ludes, Lurdes, que vou morrer... (vídeo e música de Vitorino)

 

Bom fim de semana.

(PS: Sendo difícil a selecção das citações, até gostava que escolhessem uma/ou duas e comentassem. Fariam, deste modo, umas "escolhas de tresgues" muito mais personalizadas... ;)

publicado por tresgues às 11:26
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Sexta-feira, 5 de Novembro de 2010

Ai, Sôbolos, Sôlobo!

A propósito de "Sôbolos, Rios que vão", mais uma cena do quotidiano.

(E as "escolhas" desta sexta ficam para a próxima, uma vez que esta "cena" pode correr o risco de ficar desactualizada. Aliás, já está, mas... não tive culpas pessoais no cartório.)

 

1 - Eu, via sms: 

moi - Vamos? Olha, imprime aí os convites do site que eu vou nesse dia para casa. 

my friend - Sim vamos, já estão imprimidos.

Fomos.

2 - À entrada do Museu, paro o carro.

Porteiro/segurança - que passo a chamar por lui, com (s) de "simpático" - com bloco de notas e esferográfica na mão:

lui(s), simpático - O nome por favor!

moi, solícita, ainda sem perceber a intenção - "tresgues, tal e tal."

lui(s), parecendo procurar e moi, parecendo entender e...

my friend, certeira - Era preciso dar o nome com antecedência?

lui(s) - Era, sim!

my friend - Oh, não sabia. Não vi nada no s...

moi - É só por convite pessoal?

lui(s), sorrindo e andando em direcção à recepção - Só um bocadinho, que eu já venho!

moi e my friend incrédulas.

lui(s) volta e antes que ele se atrevesse a pronunciar a mínima palavra:

moi - My friend, mostra lá o que imprimiste.

E antes que ela se atrevesse a pronunciar a mínima palavra, lendo alto, bom som e quase soletrando:

moi - (...) têm o pra-zer de con-vi-dar VOS-SA EX-CE-LÊN-CIA...

lui(s), não conseguindo conter o riso e não me deixando continuar - Entre. Pode entrar e estacionar ali dentro.

moi, contentinha da silva - E não é preciso ficar também o nome de my friend?

lui(s), "s" de "simpático" - Não, não, já chega.

3 - Lá dentro.

Figuras públicas, como a Senhora Tal, o senhor Tal, o cantor Tal, o Prof. Tal e Tal - e etc. - e todas as rádios e tvs e revistas imaginárias... e moi e my friend!!!

 

Porquoi?

Porque eu queria comprar o livro e oferecê-lo autografado a quem me deu a conhecer e a gostar de ALA(ntunes).

Resta-me acrescentar que tal não aconteceu.

Porquoi?

Porque, nem de propósito, o Sôlobo Antunes, diz assim - mais coisa, menos coisa - no final do evento, para desconsolo de moi e de my friend:

Sôlobo E agora, peço-vos imensa desculpa, mas tenho uns trezentos livros para assinar e não o farei porque estou muito cansado e ainda vou trabalhar à noite. Estarei no dia 1 e no dia 8...

Já nem ouvi bem o resto.

Precisava de vitamina C -"c" de credulidade.

Bebi um copo de sumo de laranja e saí.

Pronto.

Mas gosto de gente assim. Que não faz o que não lhe apetece.

Como eu.

O entendo. 

Porque ALA tem de trabalhar. Porque sabe que a morte vem lá, mas sabe que há quem fique cá. Para o ler. Diz.

E, se eu puder, lá irei.

Se não, mais uma vez, o propósito adiado, Sôlobo Antunes! Mas não preciso de lhe dizer que já falei com o Sôbolos (rios que vão) várias vezes. Pois não?

EXEUNT OMNES

E BOM fim-de-semana.

publicado por tresgues às 12:22
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

Sabes há quanto tempo...

(...) sabes há quanto tempo não me pegam ao colo?

Há tempo demais.

Já pensaste que somos bebés grandes? Que todos vivemos os nossos primeiros dias dentro de alcofas, mais ou menos pobres?

Todos fomos olhados com ternura por estranhos,

 

(tão querido o bebé)

 

E hoje ninguém nos olha, andamos sós nas ruas, cruzamo-nos sem amor nem afecto,

Uns pelos outros, passamos uns pelos outros com indiferença, magotes de bebés grandes que não têm colo há tempo demais.

Fomos belos um dia, acabados de fazer, à imagem e semelhança do criador

 

(dizem eles)

 

E depois, com o tempo, vamos deformando a nossa perfeição, ganhamos cicatrizes e rugas, como uma camisola velha, e deixamos de ser olhados com o sorriso das roupas acabadas de comprar. Somos atirados para o fundo de uma gaveta, com desprezo, ou para o fundo de um lar.

Mas fomos bebés, não vêem que fomos bebés?

Quando penso deste modo, sinto compaixão por todos os idiotas, aquela ternura que temos pelas crianças, aquela condescendência ingovernável.

Nas guerras, do outro lado da trincheira, ex-bebés atiram granadas para matar outros ex-bebés, de capacete diferente e armas apontadas.

Longe dos beijos das mães, dos colos dos pais, dos olhares de ternura dos desconhecidos.

E porquê? Sempre pela mesma razão: - Propriedade.

Percebes porque te digo que não me controlas? Que não te pertenço? Que não me pertences? Que ninguém é de ninguém? Nada é de ninguém?

Porque te amo e te quero ao pé de mim sem que tenha de te amarrar.

 

(Ricardo Leitão, Podes pintar os olhos de azul, Sextante Editora, Maio de 2009-1ª edição)

 

publicado por tresgues às 10:08
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Quinta-feira, 21 de Janeiro de 2010

Palavras

Quando o tempo escasseia, mas queremos escrever palavras, às vezes, utilizamos as palavras dos outros. Afinal, nenhuma nos pertence...

 

"(...) Somos todos em forma de palavras. As palavras machucam, doem, cortam. Palavras súbitas declaram a guerra e palavras esperançosas anunciam a paz. Qualquer palavra é mais do que uma palavra. Há palavras sonoras e palavras murmúrios. Palavras meigas e palavras bruscas. Umas suplicam, outras arrepiam. Em algumas podemos confiar, mas só em algumas. Em geral revelam o que outras apressadamente escondem. Há palavras que destroem almas, países. (...) Qualquer palavra dá e tira, junta e separa. Por vezes meia palavra é mais do que suficiente. Cada palavra possui uma origem inviolável. Ninguém sabe quem disse a primeira, quanto mais todas as outras que se lhe seguiram. Uma palavra agarra o que a outra repudia. Uma pergunta o que a outra cala. (...) há palavras que nunca foram escritas, as mais lindas. É na verdade uma traição escrever uma palavra tentando fixar o imparável espírito que a anima. As palavras vêm do peito, passam pela garganta e desfazem-se no ar esperando que alguém as apanhe com as duas mãos cerradas. Nenhuma nos pertence. Mas também há palavras que se dizem em silêncio (...). Requerem entre si uma pausa que é a distância entre elas e nós próprios. É indispensável o breve silêncio que as separa. É nessa distância que habitamos. Sem ela irrompe um ameaçador vazio. (...)" 

 

(O Mundo é tudo o que acontece, Pedro Paixão, Quetzal Editores e Pedro Paixão, 2008 - págs.243,244,Casa das palavras)

 

Há quem escreva, assim, das palavras.

E mais não são precisas. Por hoje.

 

publicado por tresgues às 09:50
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