Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Sem escolhas

E o que se passa é isto. 

Desabafo de um professor que gostava de ser professor.

 

Reorganização curricular

Sinto que mais uma vez não se pega o touro pelos cornos? É assim a modos como uma pega de cernelha? Porque quanto ao Pré-escolar e ao 1ºCiclo nada de fundamental.

Transição obrigatória no 1º ano? Sim, continua a palhaçada. Planos de Recuperação, Planos de Acompanhamento? Sim, continua a palhaçada. Apoio ao Estudo para todos? Sim, continua a palhaçada com os EE a dizer que sim, que sim, que sim?

27 horas letivas! Sim que ao Apoio ao Estudo vão TODOS, que todos são filhos de gente! PCT? Sim, continua a palhaçada da burocracia. Monodocência coadjuvada, em expressões? Sim, continua a palhaçada? Apoios? Sim, continua a palhaçada da burocracia da articulação e mais planificações e relatórios e relatórios e relatórios dos relatórios, etc.? Das AEC s, do Apoio Educativo, da E. Especial, da coadjuvação, da articulação da atividade A com as restantes, da B com as restantes, das C com as restantes, da D com as restantes?

O 1º Ciclo é assim como um Aterro Sanitário da Educação! Tudo lá vai parar! Tudo quanto existe cai! É a própria gravidade pura! Não há tempo para o essencial! Não há tempo! É tudo Projeto: é o PNL, é o PAM, é o de E. Sexual, é o Ensino Exp. das Ciências, é o de F Cívica, é o de Área de Projeto, é o da CPCJ, é o do Centro de Saúde, é o da Biblioteca Municipal, é o da Câmara Municipal, é o da Proteção Civil, é o da articulação com o 2º Ciclo, é o da articulação com o 3º Ciclo, é o da articulação com o Secundário, é o da articulação com o Pré Escolar, é o da articulação com todos? E depois, planifique lá, faça esquemas e mostre lá como se articula cada um, com cada qual e cada um com as diferentes áreas curriculares disciplinares e com as áreas curriculares não disciplinares, e com as AEC s? E depois registe lá, também, os contatos Informais: com EE, com colegas, com e com e com e com? E depois, avalie lá o que planificou explanando toda a articulação: o que foi conseguido, o que não foi, o que fugiu à planificação, o que adaptou e porquê? O que introduziu e porquê? E depois faça lá umas grelhas com os resultados alcançados, um relatório? Corrido? Também. E já agora uns gráficos? E já agora mais do mesmo, mas, comparativos, período a período, e já agora compare lá com os resultados do ano passado? E já agora passe lá uns Inquéritos e faça lá o tratamento dos dados? E o relatoriozinho corrido? E já agora, não se esqueça de fazer a avaliação de cada atividade do PAA, de outras que surjam e de cada projeto com os seus alunos, pois existem documentos para o efeito?

Folhas para fotocópias, toner, etc. e tal é que não! E já agora, Não se atrevam a dizer que não! Não falo de ouvir falar: falo porque esta é a realidade! NÃO TENHO ESPAÇO, NÃO TENHO TEMPO PARA O ESSENCIAL. Estou farto! GOSTAVA DE SER SÓ PROFESSOR!

 

(via mail - autor desconhecido vs realidade bem conhecida.)

Bom fim de semana.

publicado por tresgues às 08:37
link do post | comentar | ver comentários (2)
Segunda-feira, 2 de Abril de 2012

Prova final no 4º ano (II)

(TAKE 2) 

Por motivos :) - e entre os quais se encontra o que tenho ouvido por aí, sou levada a acrescentar, à minha primeira opinião acerca do assunto, o seguinte, e sintetizando:

1 - As provas são isso mesmo: provas. 

     Deixem de lhe chamar exames e vai ser mais fácil concordar com elas.

2 - Não vão eliminar ninguém.

     Contribuem apenas para a avaliação;

3 - As pessoas são avaliadas ao longo da vida. Por que não habituá-las desde cedo?

     Se não são avaliadas, deviam ser. Há gente mais empenhada do que outra e pode/e deve ser distinguida por esse facto. Por que não?

4 - Ninguém, que aprove estas provas - passo a possível redundância - e só por isso, deve ser conotada como saudoso/a do fascismo (!);

     Ninguém, que não aprove estas provas, e só por isso, deve ser conotado como uma pessoa democrata;

5 - Há coisas boas a recolher "do antigamente" e coisas inovadoras e excelentes "do recentemente".

     a) do antigamente (por exemplo):

         ♦ a memorização faz mal a alguém?

         ♦ saber a nossa História desde o início, é algum desperdício?

         ♦ saber fazer contas sem usar as máquinas, tem algum problema?

         ♦ escrever sem erros, preparando ditados, fazendo cópias das palavras mais difíceis (sim, e com as dificuldades a cores para melhor visualização), faz mal a quem?

         ♦ escrever textos criativos, ou não, ao sabor da pena, ou não, falando do que tiver vontade na altura, ou não, mas saber que alguém vai ter tempo para ler* e corrigir, sim, se for necessário), mas vai mesmo ler e, se for preciso, vai mesmo discutir o assunto com o aluno, algo a objectar?

         ♦ ter tempo* para fazer trabalhos manuais, desenho ou pintura, para cantar, disputar jogos entre turmas, etc., não desenvolve e não explora áreas bem interessantes do saber que podem, até, contribuir para uma melhoria do aproveitamento nas outras áreas? 

      

         b) do recentemente (por exemplo):

         ♦ saber usar o computador para complemento educativo e, porque não, lúdico, estando por dentro de todas as vantagens e desvantagens, perigos inclusive, nada a obstar, certo?

         ♦ saber usar iPods, iPads máquinas calculadoras, é bom, não é?

         ♦ chegar à resolução correcta de um problema matemático, de forma diferente e com criatividade, é de louvar, não é? 

         ♦ saber, compreender e experimentar a razão porque cinco vezes oito são quarenta, ajuda à memorização, certo?

         ♦ saber pensar, idealizar, concretizar, abstrair, generalizar, individualizar, decidir... etc.- sozinho - é meio caminho andado para a tal preparação para a vida - que se quer - não é verdade?

 

Porque não juntar as coisas do antigamente que se sabem boas e fazê-las conviver pacificamente com as novas, em prol de um melhor aproveitamento (não só estatístico)?

 

NOTA1: E devemos ter por certo que, muitas vezes, algo que poderia ser considerado pedagogicamente errado, pode resultar correctamente, quando já tudo se experimentou e nada resultou. Não fazer nada, não mexer, quando nada está bem, será bem pior. Sei de um caso: uma turma não havia meio de começar a ler, alto e bom som, sem medo, com atitude, com expressão, pontuação e a correcção adequadas. E já no terceiro ano (?)! Não estudavam a lição. Ponto final. Mas, curioso, adoravam ir à biblioteca (bem apetrechada, por sinal, para uma escola pública que, por sinal, devido ao interesse da directora que tinha à frente - e que, por sinal, até tinha autonomia própria, só por sinal...!;) todas as sextas, buscar um livrinho de leitura para ler no fim-de-semana. Muito bem. Já tudo fora experimentado e não havia modos de haver resultados. Sendo que as normas pedagógicas vigentes ditavam que, de maneira nenhuma, se poderia proibir a leitura de um livro a uma e qualquer criança - optou-se, em último recurso, por infringir essa regra. Resultado? Nem queiram saber como a estratégia resultou. E era vê-los a bater palmas e a exclamar: "Yes, vou levar livro no fim-de-semana!!!"

Que satisfação. Dos alunos e da professora.

 

NOTA2: Se ninguém fizer disto - da prova de avaliação - um bicho de sete cabeças, os miúdos até vão gostar e, repito, até se vão esforçar com gosto. Motivação, meus caros.


PS1*: Pois é. Mas, de momento, o professor tem pouco tempo para isto*. É pena. Tanta papelada, tanta reunião extra. Professores. Uns com os outros. E já fartos. Uns dos outros. Quando muitos preferiam ter tempo para outros. Extras. Com alunos. E que bem precisam. Uns dos outros.

 

PS2: Só um à parte, quanto às reprovações ditas precoces e discriminatórias - que já foram um pouquinho corrigidas: é bem mais difícil recuperar, por exemplo, um aluno e a sua auto-estima, que continue sem saber ler, escrever ou fazer contas - num terceiro ou quarto ano de escolaridade, junto de colegas da sua idade -  do que incentivá-lo no seu primeiro ano de repetência, junto de colegas que estão ao mesmo nível - ou, e ele sabe disso, num nível inferior, porque até nunca frequentaram aquele ano. E já não falo no trabalho extra do professor perante este aluno - que, neste contexto, é quantas vezes infrutífero e penalizador para os outros alunos da turma. Uma pena. (Para além de que, reprovar um aluno que não trabalhou nem se esforçou é, por si só, uma prova esforçada de relatórios atrás de relatórios, dando muito menos trabalho transitar um aluno que não sabe e não trabalhou o suficiente do que reprová-lo. Não é facilitismo, não?)  

 


PS3: Mas vá lá, para terminar em beleza, deixo-vos esta pérola de um aluno que sabia que nada fizera durante o ano e que, por isso, era um dos que estava em risco de reprovar (pese embora as tais dezenas de relatórios) - mas que tinha a tal permissão para escrever e desabafar com quem desejasse, inclusive com a professora, como foi caso.

Transcrevendo com base em provas documentais existentes:

 (E a ter que pedir algo, pede-se logo a "Deus"...!)

 

Professora

porquê que a professora não me passa? - eu sempre gostei da professora

Professora por vfavor passe-me para o primeiro ano onde a minha irmã carina anda mas não faz mal que eles me mandem para aqui outravés eu não fasso lá as coisas que eu fasso aqui a professora passame? porque se a professora passasme a minha mão deixavame ficar com o gato mas a minha mãe não deixa.

beijinhos do...(tal) para a Professora... (tal)

 

e

professora

eu gosto muito da professora eu ja a muito tenpo que não fazia cartas para a professora...


ou das poucas vezes que teve boa nota:

Professora

Eu agora vou-me portar muito bem eu ficei muito felis coando a professora pos muito bom (reparem que, não se verificando estes erros, claro, foi bom classificar/avaliar tudo com rigor) eu gosto muito da professora a minha mãe seca-lhar (reparem no "se calhar") vai ficar felis da quilo que eu fis bem beijinhos do...(tal)  para a professora... (tal)

E a professora gosta de mim por amigo?


HUM? Hum? hum? hum? hum?

Amigo é amigo, bolas!!! Desculpa qualquer coisinha, ou então... não é amigo da gente! Né?

 

Boa semana.

publicado por tresgues às 10:43
link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 27 de Março de 2012

Prova final no quarto ano

Concordo e aplaudo.

Já era hora.

Todos iguais, todos diferentes.

Diferentes porque uns são mais interessados do que outros, outros mais trabalhadores, outros mais atentos... Diferentes, portanto.

E nem todos têm capacidade para ser grandes doutores ou grandes engenheiros (sem trabalho no futuro), mas poderemos estar a perder grandes canalizadores, óptimos sapateiros ou costureiras (que poderão vir a ser bem precisos).

Portanto, é de pequenino que - já sabemos todos - se torce o pepino (nunca percebi bem esta analogia, mas entendo o que quer dizer, e concordo).

E até pode acontecer que alguns alunos se venham a empenhar muito mais, porque sabem que vão ter prova final.

Sempre assim foi.

A menos que tenham por perto um pai ou uma mãe que os venha a influenciar negativamente, com frases do género: "Coitadinhos, ainda são tão pequeninos, nem os deixam crescer saudavelmente..."; "Pobrezinhos, isto é só para criar diferenças entre os espertos e os outros." (Espertos, com uma carga negativa, claro, de tal modo que os pobrezinhos ficam logo sem vontade nenhuma de ser espertos. Coitadinhos).

Mas estes "pobrezinhos" e "coitadinhos" (até me custa a escrever estas duas palavras, mas que elas existem nalgumas mentes parentais, é um facto) vão enfrentar uma realidade bem diferente, onde os paizinhos não entram para os defender.

Ou entram, quem sabe? Ai, pobrezinhos. Coitadinhos.

 

PS: Eu adorei fazer exame no quarto ano (antiga quarta classe). Tive vestido, sapatos novos e tudo. Fazer provas do 6º ano (antigo 2º ano do ciclo... aliás fiz provas duas vezes porque mudei de escola em Abril). Fazer exames (ou ficar dispensada se tivesse média superior a catorze) a todas as disciplinas do 9º ano (antigo 5º ano... e um deles com uma carga horária de seis horas). Fazer exames no CComplementar para poder depois entrar no ensino superior.

E não vou continuar para não aborrecer

a quem tem mais que fazer

e precisa de trabalhar.

Ai, coitadinhos.

Resto de boa semana, pobrezinhos.

publicado por tresgues às 11:53
link do post | comentar | ver comentários (14)
Terça-feira, 13 de Março de 2012

Preocupado com o futuro dos filhos? Dos netos?

Não perde tempo, neste caso, na leitura que aqui lhe deixo.

Eu, como já imagina quem me conhece, estou totalmente de acordo com tudo.

 

Leopoldo Abadía (Zaragoza, 1933), professor e escritor espanhol, conhecido pelas suas análises à crise económica actual, disse num artigo:

(tradução minha, com algumas palavras deixadas como estavam, só por graça)

 

 

Escreveu-me um amigo dizendo que está muito preocupado com o futuro dos seus netos.
Que não sabe que fazer: se deixar-lhes a herança para que estudem ou gastar o dinheiro com a sua mulher e que "Deus os acolha como já confessados".
Que Deus os acolha como já confessados é um bom desejo, mas parece-me que não tem que ver com a sua preocupação.
Em muitas das minhas conferências, levantava-se uma senhora (isto é pergunta de senhoras) e dizia essa frase que a mim me dá tanta graça: "que mundo vamos deixar aos nossos filhos?"
Agora, como me vêem mais velho e vêem que os meus filhos já estão crescidos e que se "manejan bien por el mundo", só me dizem "que mundo vamos deixar aos nossos netos? 

Eu só tenho uma afirmação da qual estou cada vez mais convencido: "y a mí, qué me importa?!"
Acho que soa um pouco mal, mas é que, realmente, me importa muito pouco.
Eu era filho único. Agora, quando me reuno com os outros 64 membros da minha famiíia directa, penso no que diriam os meus pais se me vissem, porque de 1 a 65 "hay mucha gente". Pelo menos, 64.
Meus pais foram um modelo para mim.

Preocuparam-se muito com as minhas coisas e comigo, animando-me a estudar fora de casa (coisa fundamental, da qual falarei num outro dia, e que te ajuda a tirar "la boina"  e a descobrir que há outros mundos fora do teu povo, da tua cidade e do teu piso), se focaram para que eu fosse feliz. E me exigiram muito.
Mas "¿qué mundo me dejaron?" Pois vede, deixaram-me:
1. A guerra civil espanhola 2. A segunda guerra mundial 3. As duas bombas atómicas 4. Coreia 5. Vietname 6. Os Balcãs 7. Afeganistão 8. Iraque 9. Internet 10. A globalização... E chega, não continuo porque esta é a lista que me saiu de um tiro, sem pensar. Se penso um pouco, escrevo um livro. Vocês pensam que os meus pais alguma vez sonharam no mundo que me iam deixar? Não o podiam, sequer, imaginar!
O que fizeram foi algo que nunca lhes agradecerei bastante: tentaram dar-me uma muito boa formação. Se não a adquiri foi culpa minha.
Isso é o que quero deixar aos meus filhos, porque se me ponho a pensar no que se vai a passar no futuro, me entrará la depressão e depois, não servirá para nada, porque não os ajudarei no mínimo que seja.
Eu gostaría que os meus filhos e os filhos deste senhor que me escreveu e os teus e os dos outros, fossem gente responsável, sã, de mente limpa, honrados, "no murmuradores", sinceros, leais. O que por aí se chama de "boa gente".
Porque se forem boa gente farão um mundo bom.
Portanto, menos preocupar-se pelos filhos e mais em dar-lhes uma boa formação: que saibam distinguir o bem do mal, que não digam que tudo vale, que pensem nos outros, que sejam generosos... Nestes pontos essenciais podeis ainda pôr todas as coisas boas que vos ocorram.
Ao acabar uma conferência a semana passada, chegou-se uma senhora ao pé de mim, uma senhora jovem com dois filhos pequenos. Como também naquele dia me tinham perguntado sobre o mundo que vamos deixar aos nossos filhos, ela também me disse que se preocupava muito, mas com o seguinte: que filhos vamos deixar a este mundo? A  senhora jovem, mas de sabedoria de sobra, deixou-me a pensar.
E voltei a dar-me conta da importância dos pais. Porque é fácil isso de pensar no mundo, no futuro, em tudo o que está mal, mas quem sabe, enquanto os pais não se dêem conta de que os filhos são coisa sua e que se eles se sairem bem a responsabilidade é 97% sua e se eles se sairem mal, também não desprezemos "las cosas". E o Governo e as Autonomias se esgotarão a fazer Planos de Educação, tirando a disciplina de Filosofia e voltando a pô-la, acrescentando a "Historia de mi pueblo" (por aquela coisa de pensar em grande) ou retirando-a, dizendo que há que saber inglês e todas essas coisas.
Mas o fundamental, a essência é outra: os pais.
Já sei que todos têm muito trabalho (ou não), que as coisas já não são como dantes, que o pai e mãe chegam cansados a casa, que assim que chegam, os filhos vão para a televisão ou para o computador, que de liberdade é o que levam, e que a autoridade dos pais é coisa do século passado.
Sei tudo isso. Sabemos tudo. TUDO. Mas, não deixemos que, como sabemos tudo, não façamos NADA.
Leopoldo Abadía.
P.S. :
1. Não falei dos meus netos porque para isso têm os seus pais.
2. Eu, com os meus netos, a merendar e a dizer tontarias e a rir-nos, e a contar-lhes das notas que tirava o seu pai quando era pequeno.
3. E assim, para além de divertir-me, talvez os ajude na sua formação.
 

publicado por tresgues às 09:11
link do post | comentar | ver comentários (2)
Quinta-feira, 14 de Julho de 2011

Nota baixa

Depois de muito facilitismo pelas positivas, eis-nos com negativas a bater recordes nos exames deste ano - JN. E a convicção de que se deve facilitar as  criancinhas com as positivas porque é muito mais fácil dar negativas e chumbar um aluno, "que depois fica traumatizado", ainda está em vigor?

(ilustração via mail)

publicado por tresgues às 08:28
link do post | comentar | ver comentários (2)
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011

Exame de admissão à carreira...

... de professor? (educare.pt)

Concordo em absoluto. 

É a minha opinião.

Conheço quem fez exame para entrar no Magistério e ainda tenha feito exame para terminar o Magistério. O chamado exame de Estado.

(E ao começar a carreira ainda fez um juramento com a mão em cima duma bíblia qualquer. Pormenores.) 

Conheço quem tenha, pela primeira e única vez, perdido a voz. Tal era a imagem de uma turma desconhecida ali sentada e, mais do que isso, de um júri desconhecido, ali sentado. Todos com caneta (ou lápis... uma pessoa sabia lá) na mão para apontar o mais pequeno deslize - numa aula de Matemática, de iniciação às décimas, cujo tema só podia ser conhecido com menos de vinte e quatro horas da apresentação - e que posteriormente iria ser discutido à grande e... à portuguesa de antigamente - até à exaustão - perante o mesmo júri e perante uma sala cheia.

Aí se aprendeu, com o director escolar e professor de pedagogia, que "seja o que for que te apontem de negativo" defende a tua posição porque até pode ser a mais correcta e o júri não se ter apercebido.

(E num estado fascista... isto até era democracia.)

Não acredito que toda esta panóplia de exigência forme melhores professores - se eles não tiverem "queda" e motivação - mas acredito que de facilitismo em facilitismo nada de bom advém.

(E quem não deve... não deve temer.)

Porque é triste, por exemplo, mesmo "só" por mero e singelo exemplo, ver escrito pelo professor - num quadro qualquer de uma cidade qualquer - "vocês" com "ç" de cedilha.

Não sendo erro de teclado, não sendo um novo acordo ortográfico, acredito também que a culpa não seja deste professor que o escreveu e que depois humildemente se envergonhou perante a classe.

Vamos lá, errar é humano.

Mas alguma coisa é preciso mudar. E não me parece que mais um mestrado, ou mesmo dois e um doutoramento, sejam suficientes.

A mãe deste professor com a antiga quarta classe - aposto - nunca na vida deu semelhante erro. Por exemplo. Só por mero e singelo exemplo.

publicado por tresgues às 16:50
link do post | comentar | ver comentários (4)
Terça-feira, 14 de Junho de 2011

Crescer como é preciso

Foi este o tema de ontem do programa da RTP1, Prós e Contras.

Acredito e tenho pena que só alguns pais e educadores o tenham visto.

Acredito e tenho pena que esses pais e educadores que o viram sejam aqueles que menos necessitassem de o ver. E se para educar uma criança é preciso a aldeia inteira, todos o deveríamos ter visto.

Quantas verdades ali foram ditas que provavelmente feriram ou iriam ferir algumas sensibilidades menos sensíveis para esta questão tão normal do crescer, do preparar para a vida. Com valores e sem favores.

A falta de tempo dos pais não é desculpa - alguns minutos por dia de total disponibilidade só para ouvir fazem toda a diferença. A falta de tempo dos professores para ouvir, para deixar falar, deixar dar opiniões é uma contrariedade evidente. As escolas também deveriam proporcionar estes tempos.

As crianças até são  boas conselheiras. Deixem-nas falar. Desabafar. Peçam-lhe mesmo que o façam por escrito, por que não? Em casos mais constrangedores para elas, resulta na perfeição. Mas respondam sempre. Toda a carta, todo o comentário tem resposta. E acreditem nelas. Dêem-lhes exemplos de vidas. De vidas difíceis, sim. Por que não? Perguntem-lhes o que fariam naquela ou noutra circunstância. Discutam ideias. Caminhos.

Violência? É como se disse, uma maneira de resolverem os seus problemas. De serem ouvidos. De imitar, que diabo! Quantas vezes. A quanta violência - e a física não é a pior - não estão expostos, na sua própria casa muitos "meninos pedigree", como lhes chamou Eduardo Sá? É triste mas é a realidade.

O saber, o cognitivo, não é tudo. Não é a base. Não devia ser a base. Não se faz bem se não se está bem.

As crianças também têm dias cansativos. E brincar?  Também se aprende a brincar. A conviver.

E o desporto? E a bola? E a dança? E o teatro? E a pintura? Tanto desleixo por parte do ministério, em disciplinas fundamentais. Quantas vezes a auto-estima de uma criança não fica ao rubro, melhorando mesmo todas as outras competências, quando se descobre que aquele "mau aluno" é um craque na bola, um espectáculo na dança ou desenha como ninguém?* (ver vídeo abaixo)

Falou-se da prevenção. Concordo em absoluto. Tenho conhecimento de óptimos projectos de prevenção em escolas e com óptimos resultados, mas única e simplesmente pela boa vontade dos que acreditavam neles. Apoios superiores? Difíceis de encontrar. E não estamos a falar da parte monetária. Aliás, a parte monetária da vida - desde que tenha com que saciar a sua fome - será sempre, para uma criança, a parte que menos lhe interessará.

Para não me alongar muito mais, só um conselho que ninguém me pediu: em caso de conflito, nunca achem logo que a vossa criança, coitadinha, tem sempre razão. Ouçam-na bem, mas ouçam a outra parte também. Depois então decidam e aí, caso tenha razão, conversem com ela para que, futuramente possa evitar tais situações. Porque se não as podemos mudar, podemos evitá-las. Não podendo mudar o mundo, podemos sempre mudar o nosso. E sejam, acima de tudo, pais e educadores. Logo a seguir, se conseguirem, grandes amigos. Se não conseguirem, no stress. É porque eles não querem. Querem outros amigos com quem partilham segredos. Vocês também lhes contam tudo?  

Alonguei-me. Peço desculpa. É um tema que me é grato. Pelo qual não me calo. Muito. E com um certo conhecimento de causa...:)

*Agora deixo-vos com a primeira parte do vídeo. Vale a pena. Ouvir. Pelo menos.

E a segunda parte, aqui. 

publicado por tresgues às 17:48
link do post | comentar
Sexta-feira, 13 de Março de 2009

As escolhas de tresgues

1 - Gigolô não leva os milhões que queria. Só leva seis anos de cadeia. In BBC.

E a senhora "do caso" só é a herdeira mais rica da Alemanha, casada e com filhos.

Há gigolôs que se julgam inteligentes mas, esquecem-se que, quando eles nasceram já os pais eram velhotes...

 

2 - Pais mais velhos, filhos menos inteligentes - segundo um estudo que nos chega da Austrália. Aqui

Não é por nada. Por nenhuma razão em especial.

Mas sabiam que a minha mãe me teve com dezoito anos e o meu pai com vinte e picos?  

Só uma pequena curiosidade minha.

Gosto que me conheçam mais ou menos... Bem!

 

3 - Mian Jabbar faz o mesmo exame pela 44ª vez porque não tem tido tempo para estudar.

Acredite que é verdade.

Tem 65 anos e considera, no entanto, que "a educação tem um valor  mais elevado que a religião ou o dinheiro, visto que ninguém a pode roubar."

Assim sendo, diz que estudará até morrer.

Não sei se os pais de Mian o tiveram muito novos, ou não.

Parece-me uma pessoa inteligente. E séria. 

Quase aposto que não copia nos exames.

 

Por hoje é tudo.

Não tive tempo para mais.

Bom fim-de-semana.

 

PS - Hoje - dia treze, sexta-feira - fui ver o meu horóscopo porque a semana toda me correu "muito bem": um dia batem-me no carro, no outro dia tenho o carro bloqueado, no outro o carro...

Enfim.

Diz, então, o meu horóscopo que a semana é muito boa. Tudo muito bem.

Muito charme, muita criatividade, muita saúde.

Mas há uma frase da Maya que, por acaso, ainda me "ecoa" na mente.

Porquê? Fala do carro!

"Não ponha o carro à frente dos bois."  

 

publicado por tresgues às 09:03
link do post | comentar
Segunda-feira, 17 de Novembro de 2008

Acerca do estatuto do aluno...

E não só!!!

Preciso de desabafar. Antes do post normal de hoje.

Antes que me dê uma coisa "menos boa":

"(...) despacho (...) «clarifica de uma vez por todas» (...)"- no Sol.

 

Não há condições!!! Não há condições!!! Não há condições!!!

Só tenho coisas que me ralem.

Que me moam... Que me incomodem.

 

Pronto! Já está!

PS1: O objectivo deste blog não é este. Mas, desta vez não resisti.

PS2: Ao menos, VIVA O BENFICA! Apesar de não ter visto o jogo :()

 

 

 

publicado por tresgues às 08:29
link do post | comentar | ver comentários (6)
Segunda-feira, 27 de Outubro de 2008

Ainda o "MIGALHÃES"!

Acho que o assunto já chateia, mas achei diferente e aqui vai o que recebi por mail, cujo autor desconheço... E tenho pena!

Devo ainda acrescentar que, por variadíssimas razões, considero o "Migalhães" uma boa aposta e que, toda a polémica à volta do caso tem mais a ver com a máxima: "Preso por oferecer Migalhães, preso por não oferecer"...

Já agora... Também me ri bastante com os Gatos, apesar de achar que poderiam, eventualmente, ferir susceptibilidades - susceptíveis de se poderem ferir... logo após umas boas gargalhadas. Acontece aos mais incautos... ;(

 

 

MIGALHÃES

Lá vem pelo avelar
O filho do Zé João
Vem do centro escolar
Cansado de palmilhar
A caminho da povoação

Não há médico na aldeia
E a antiga escola fechou
Não tem carne para a ceia
Nem petróleo para a candeia
Porque o dinheiro acabou

O seu pai foi para França
Trabalhar na construção
E a mãe desta criança
Trabalha na vizinhança
Lavando pratos e chão

Mas o puto vem contente
Com o Migalhães na mão
E passa por toda a gente
Em alegria aparente
De quem já sabe a lição

Um senhor muito invulgar
Que chegou com mais senhores
Veio para visitar
O novo centro escolar
E dar os computadores

E lá vem o Joãozinho
No seu contínuo vaivém
Calcorreando o caminho
Desesperando sozinho
À espera da sua mãe

Neste país de papões
A troco de dois vinténs
Agravam-se as disfunções
O rico ganha milhões
E o pobre, Migalhães
!

 

 

publicado por tresgues às 08:53
link do post | comentar

.mais sobre mim


. ver perfil

. seguir perfil

. 34 seguidores

.pesquisar

.Dezembro 2015

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
29
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Educação diferente. Porqu...

. Mãe chata. Orgulhosamente...

. Nem demais, nem de menos

. Colo, castigo, tudo ou na...

. As escolhas de tresgues

. Coisas de professores

. Educação vs cultura (de b...

. A Galinha Pintadinha e o ...

. Dia mundial das telecomun...

. Provas nacionais - consel...

. Sem escolhas

. Prova final no 4º ano (II...

. Prova final no quarto ano

. Preocupado com o futuro d...

. Nota baixa

.links

.subscrever feeds