Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Encarregados da educação? Da educação de quem?

Se você quiser civilizar um homem comece pela avó dele - Victor Hugo.

 

Pais agridem professora por ter confiscado telemóvel na aula da matemática.

Muito bem, paizinhos.

Invadem a escola, sobem à sala dos professores e cá vai disto.

A menina fez queixa aos paizinhos e os paizinhos acreditam sempre nos filhinhos.

Sem falarem primeiro com os professores.

Muito bem.

Sobem ao segundo andar, talvez por falta de funcionários que vigiem a escola de modo a poderem proteger devidamente quem lá ensina ou estuda.

Muito bem.

Neste aspecto, talvez as coisas comecem a mudar no dia que haja um acidente com "mais visibilidade". Como é costume.

Porque nos outros aspectos, nem a escola  - que vai suspender a aluna - nem a professora têm de mudar. Os paizinhos, esses, precisavam que lhes fossem retirados - durante uns meses - os respectivos telemóveis e outros "artefactos" do género que, pelos vistos, não conseguem educar a tal aldeia (Aldeia, essa, bem mais educada quando estes "artefactos" não existiam. Mas, está bem. A culpa até nem é dos "artefactos". Coitados.)

E já agora. Se o governo considera a hipótese da existência desta lei para as agressões aos funcionários das finanças, porque descuram os professores e a escola? 

A educação também se transmite pelo exemplo. E... 

A má educação consiste especialmente nos maus exemplos - Marquês Maricá.

 

PS: E já agora, também... Estava capaz de propor a mudança do nome "encarregados de educação" para... hum... outra coisa diferente.

(Não quero ser mal educada. É que tive uma avó excelente. E civilizada.)

 

publicado por tresgues às 13:08
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Só professor? (take 2)

Ser professor passou a ser desrespeitador. Isto é, a sua profissão é 79% (mais coisa menos coisa, segundo a minha avaliação) desrespeitada.

Ao contrário do que acontecia há uns trinta anos atrás. Não foi há tanto tempo assim.

E enquanto a sociedade não souber respeitar, nunca o pode transmitir a uma criança. Até porque mais do que palavras, ela aprende pelo exemplo.

Assim, não me espanta que"estar mais tempo na sala pode não ser sinónimo de mais transmissão de conhecimentos, alerta o relatório, chamando a atenção para outro estudo de 2013 da OCDE que revela que, em média, os docentes passam apenas 79% do tempo a ensinar, sendo o resto do tempo para trabalho administrativo e para  manter a ordem dentro da sala de aula. Portugal volta a ficar abaixo desta média, com os docentes a terem menos tempo para ensinar e a perder mais tempo para garantir o bom comportamento dentro da sala." - CM.

 

E há poucos dias atrás já falei do assunto.

De entre outras conclusões do relatório, esta é das que mais me preocupa.

 

PS: E aqueles 79% podem ser, ainda assim, pouco - relativamente ao tal desrespeito, e muito - relativamente à transmissão de conhecimentos na sala de aulas. E é pena que assim seja. Mas enfim. "Os homens mais respeitados não são sempre os mais respeitáveis" - citação MMarquês - que não resolve a questão. Mas talvez console. E talvez anime. Um pouco. A enfrentar um novo ano. Para quem tem essa sorte. Claro.

 

publicado por tresgues às 10:19
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Andamos a matar a criatividade

Muitos licenciados no desemprego? E muitos mais virão a ser.

Mas quantos génios se perderam? E quantos perderemos ainda?

Ontem, após longa conversa, lembrei-me deste vídeo.

Hoje, ao ler esta notícia, voltei a lembrar-me dele: "Professores de línguas e de artes com poucas ou nenhuma hipótese."

Também me poderia debruçar sobre o ensino das línguas, mas vou focar-me nas artes de que tanto gosto. Dedico-o a todos os educadores. A todos os artistas. A todos nós, afinal. Imperdível. Logo que possa ganhar tempo.

"Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem." (Pablo Picasso)

É uma pena.

 

 

 

publicado por tresgues às 10:52
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

A minha escola pública

(Baptista Bastos)

Pela escola pública. Sempre. Sem mais comentários.

(E acho que, em tempos, eu até concordava com as opiniões de Nuno Crato...)

 

Publicado no Diário de Notícias em 13 de Novembro de 2013

   Tudo o que sou e sei devo-o à escola pública, à abnegada dedicação de professores, cujas memórias retenho com emoção e saudade. Não é mau ter saudade: é manter o lastro de uma história que se entrecruza com a dos outros, de muitos outros. É sinal de uma pertença que transforma as relações em laços sociais, frequentemente para toda a vida. Da primária ao secundário, e por aí fora, a presença desses homens e dessas mulheres foi, tem sido, a ética e a estética de uma procura do próprio sentido da vida. O débito que tenho para com eles é insaldável. A paciência solícita, o cuidado e a atenção benevolente do tratamento dispensado aos miúdos desbordavam de si mesmos para ser algo de grandioso. Ah! Dona Odete, como me lembro de si, da sua beleza mítica, da suavidade da sua voz, a ensinar-nos que o verbo amar é transitivo. Também lhe pertenço, e àqueles que falavam das coisas vulgares das ruas e dos bairros, da cadência melancólica das horas e dos dias, com a exaltação de quem suspira uma reza ou compõe uma épica.

Depois, foram os meus três filhos, instruídos em cantinas escolares republicanas, e aí estão eles, no lado justo das coisas, nesse regozijo dos sentidos que obriga ao grito e à cólera quando a repressão se manifesta. Escrevo destas coisas banais para designar o verdete e o vómito que me provocam o ministro Crato e o seu sorriso de gioconda de trazer por casa, quando, por sistema e convicção, destrói a escola republicana, aduzindo-lhe, com rankings e estatísticas coxas, a falsa menoridade da sua acção. Este ministro é um mentiroso, por omissão deliberada e injunção de uma ideologia de que é paladino. Não me interessa se abjurou dos ideais de juventude; se tripudiou sobre "O Eduquês", um ensaio dignificante; ou se mandou às malvas o debate que manteve com o professor Medina Carreira, num programa da SIC Notícias. Sei, isso sim, que os homens de bem devem recusar apertar-lhe a mão.

Ele não diz que a escola pública está aberta a toda a gente, e que a escola privada (com dinheiro nosso, dos contribuintes) é extremamente selectiva. Oculta que a escola pública acolhe os miúdos com fome, de pais desempregados, de famílias disfuncionais e desestruturadas, que vivem em bairros miseráveis e em casas degradadas, entregues a si mesmos e à raiva que os alimenta.

Não diz que a escola pública é a imagem devolvida da sociedade que ele próprio prognostica e defende. Uma sociedade onde uma falsificada elite, criada nos colégios, tende a manter-se e a exercer o domínio sobre os outros. Oculta, o Crato, que, apesar desse inferno sem salvação, fixado nos rankings numa humilhação atroz, ainda surgem alunos admiráveis, com a tenacidade e a dimensão majestosa de quem afronta a injúria e a desgraça. E esta imprensa, muito solícita em noticiar trivialidades, também encobre a natureza real do grande problema. Tapa os ouvidos, os olhos e a boca como o macaco da fábula.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico

publicado por tresgues às 11:01
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Sexta-feira, 13 de Julho de 2012

As escolhas de tresgues (II)

Adenda de hoje às escolhas, via motivação M. Relvas.

Já enjoa... mas é bom que se relembre o que toda a gente sabe:

 

Muitas pessoas públicas são privadas.  

Ou seja, vieram  quase  todas do privado - e foram chamadas por outras pessoas públicas que também são privadas.

É tudo muito privado.

 

Muitas pessoas privadas são públicas

Ou seja, vieram quase todas da pública e não precisaram de ser chamadas por pessoas públicas que também são privadas.

É tudo muito público.

 

Vou publicar.

Bom fim de semana.

publicado por tresgues às 16:57
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Quinta-feira, 17 de Maio de 2012

Dia mundial das telecomunicações

Dia Mundial das Telecomunicações, este ano subordinado ao tema "Tecnologias da Informação e da Comunicação para Todos - Auxiliar as Pessoas a ultrapassar o Fosso Digital"- Anacom.

E há todo um a-b-c que devemos ensinar às nossas crianças. E não só.

Mais do que um método global qualquer - ou um qualquer método natural - este é, naturalmente, o mais actual.

 

 

(Via mail. Obrigado à Zaza.)

Resto de um bom dia - hoje muito mais fresquinho.

 

publicado por tresgues às 09:27
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Quinta-feira, 5 de Março de 2009

Economia doméstica... É arte!

"Economia doméstica": o prometido é devido.

Aqui deixo outra transcrição - à letra - dos apontamentos do tal caderno de 68 - na altura, só para meninas - e do qual vos falei e transcrevi "umas pérolas" no post anterior.

 

Então, leiam, cultivem-se e espalhem. ;)

Quem sabe se não serão úteis nos tempos que correm.

 

Ecomonia Doméstica é a arte de governar uma casa e administrar o dinheiro de forma que as despesas não excedam as receitas e, se possível for, conseguir-se amealhar alguma coisa.

A economia é uma parte importantíssima da educação moral porque contribui muito para a vida honesta e tranquila do lar e ajuda a adquirir métodos de ordem, indispensáveis à boa administração de uma casa, por mais modesta que seja.

 

(Perceberam? Sim? Então não preciso de "fazer o boneco". Continuemos, pois com:)

 

Os preceitos básicos da economia

1 - Gastar menos do que se tem ou ganha;

2 - Pagar a pronto, não contraindo dívidas "sobre a que pretexto for", a não ser num caso de doença, uma operação de urgência, etc; 

3 - Não antecipar gastos sobre ganhos problemáticos. Não comprar nada, por mais barato que seja, de que se não necessite;

4 - Um dos principais preceitos da economia é saber comprar. Comprar bem, não quer dizer comprar barato, quer dizer comprar a preço reduzido em relação à qualidade da compra;

5 - É preciso "gastar-se"  (gostar-se?)  da ordem, sem nos tornarmos, a nós e aos outros, escravos dessa ordem;

6 - Não desprezar nunca as pequenas coisas. Na economia e na ordem, são elas que formam um todo harmonioso e perfeito;

 

Contabilidade doméstica

A contabilidade caseira permite à dona de casa conservar-se sempre ao corrente das despesas do lar, evitando dívidas e favorecendo a economia;

explica o emprego do dinheiro;

impede que se gaste mais do que se deve gastar, "indo-se" além do rendimento, sem se dar por isso;

basta uma simples agenda pautada, onde se possam anotar despesas e receitas.

 

Como alguém dizia: O bom-senso não nos obriga a atirar fora tudo o que era "da era do já era". Obriga-nos a fazer uma escolha das coisas: a guardar o que foi bom e a deitar fora o que não prestou!

 

Pois, concordo. Assim seja.

Mas aquela do "só contrair dívidas num caso de doença ou numa operação de urgência"... 

A operação de urgência não sendo de doença... Será de estética?   

 

publicado por tresgues às 09:01
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