Quinta-feira, 5 de Novembro de 2015

Educação diferente. Porque não?

 

George Bernard Shaw é autor de uma conhecida frase que faz todo o sentido ser relembrada nos dias do Portugal de hoje: “As pessoas veem as coisas como elas são e perguntam: 'Porquê?'” Eu vejo as coisas como elas poderiam ser e pergunto “Porque não?” (...) Este tempo, em Portugal, é pois de perguntar “Porque não?” e não “Porquê?”. Não é, de forma alguma, seguro ou correto que a continuidade seja um valor absoluto e superior à inovação.  (...) Outro exemplo ainda é que o reforço das aulas de Português e de Matemática afunilou o currículo, retirando-lhe abrangência em termos de trabalhos de projeto, transversais e grupais, e reduziu a oferta de áreas essenciais para o desenvolvimento das crianças e jovens como, por exemplo, as expressões - Público.

“Porque não?”. Porque é que não é possível conceber, encorajar e desenvolver formas de Educação que estejam mais próximas do que nós achamos que deve ser uma boa Educação para todos? Sim. Uma boa educação para todos. Porque se a boa Educação for só para alguns, persistiremos nos modelos que nos conduziram até aqui. Educação sim, mas para todos e com sucesso. É este certamente o grande desafio para o próximo Ministério da Educação.

 

Desafio que, acho, não vai ser nem grande, nem pequeno. Simplesmente porque não há, nem vai haver. Com muita pena minha.

E as expressões, senhores? As expressões que tanta falta nos fazem para nos ajudarem em todo o resto?

Resto! Isso mesmo. É que se o que se chama a tudo o que resta... Para além de.

 

publicado por tresgues às 08:28
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Terça-feira, 9 de Junho de 2015

Não há drones? É tal e qual!

Copiar nos exames ficou mais difícil na China. Agora há drones a vigiar. - Expresso.

 

Antigamente, na minha escola, também era difícil copiar. Principalmente nos testes de História. O professor já tinha um "drone". E calmamente:

- Fulano, feche o livro. Beltrana, ponha as cábulas debaixo da mesa, sff. Sicrano não olhe para o teste do colega do lado... Senão anulo-lhe o teste.

Nós boquiabertos. Como era possível? O professor nem olhava para nós. Nem nos via. Estava sempre a ler as últimas dos jornais. E com tanta atenção...

Um dia, o colega e amigo Fulano, esperto, chegou-se à frente, com olhos de ver. E viu. E comunicou:

- Malta, Sicrano e Beltrana, cheguem cá! Sabem que mais? O professor fez um furinho pequenino no jornal, com a esferográfica!!!

- Eh... A sério???

Tudo explicado. O professor de História, de quem todos gostávamos tanto, era um génio. Construiu um "drone", muitos anos antes de alguém saber, sequer, que um dia os haveria de encontrar por aí aos "drones". Desculpem, aos molhos. 

 

PS1: O professor quando soube da descoberta da turma, disse-nos, com um simples sorriso, mas que julgámos ser sério: Ai é? Não esperem pela demora. Já cá está outra na calha. E esta nunca a vão descobrir.

PS2: Sei que não foi ele que inventou os novos drones porque, infelizmente, há muitos anos que não está entre nós.

PS3: Se a outra que tinha na calha, calhou, nunca a descobrimos. Bem, a balda do copianço também deixou de ser tanta.

PS4:

E sem manias,

Grandes professores!

Grandes pedagogias.

É tal e qual.

Não há drones?

Um furinho no jornal!

 

publicado por tresgues às 09:40
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Sexta-feira, 22 de Maio de 2015

As escolhas de tresgues

Muito arredadas, por aqui, as escolhas de que tanto gosto.

Mas valores mais altos se têm levantado. O exercício de recuperação ao meu tornozelo, por exemplo, é um desses valores. Adiante. Hoje temos uma só escolha. (Para não dizer que, hoje, ainda não há escolhas... como deve de ser.)

 

Sobre os exames, Eduardo Sá, diz na "Leya, Educação, "Os exames fazem bem às crianças"):

“Muitos filhos são objetivos curriculares e projetos de carreira para os seus pais. E não podem ser! As crianças precisam de errar para aprender. E de ficar com um friozinho na barriga antes de cada prova.
Sendo assim, os exames fazem bem às crianças. Funcionam, de certo modo, como as histórias de arrepios.Trazem algum medo para dentro das crianças, é verdade, mas obrigam-nos a não fugir dele. É importante que não se perca de vista que os medos nunca são estúpidos e que são - sempre! – um exercício de sabedoria. Mesmo que os medos comuniquem connosco de uma forma encriptada e pareçam ser qualquer coisa entre o esquisito e o bizarro.

E é tudo.

Ah! Já uma vez aqui tinha dito - aliás, mais do que uma vez - por outras palavras, claro, que concordava* com esta teoria.

Pois.

Bom fim-de-semana.

PS*: Há uma diferença: o Dr. Eduardo aplica o AO.

publicado por tresgues às 15:39
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Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2015

Numa escola perto de si

Num futuro muito próximo - por causa dos vistos Gold e outros -  e porque...

 

Os árabes estão a reproduzir-se com velocidade.

Os africanos estão a reproduzir-se com velocidade.

Os chineses estão a reproduzir-se com velocidade.

E estão cá todos (quase todos, vá!) em Portugal.

E nós? A emigrar.

 

Assim, daqui a uns anos, no primeiro dia de aulas em Portugal...

A professora faz a chamada:

"Mustafá El-Ekhseri"..............................Presente!

"Obamba Moluni"..................................Presente!

"Achmed El-Cabul"................................Presente!

"Evo Menchú"......................................Presente!

"Yao Ming Chao"..................................Presente!

"Al Ber Tomar Tinsdi-As"......................Ninguém responde.

 

Al Ber Tomar Tinsdi-As"... Volta a repetir a professora, algo chateada.

Ninguém responde!

 

Pela última vez, diz a professora bastante exaltada: Al Ber Tomar Tinsdi-As"!!!

De repente, levanta-se um miúdo e diz:

"Devo ser eu, professora, mas pronuncia-se Alberto Martins Dias!"

(via mail)

 

PS: Como é que um professor não há-de dar erros? Não está preparado.

Mas, depois, mesmo sem querer, uma pessoa vai-se adaptando. Modernizando...

Miudos07.gif

publicado por tresgues às 11:06
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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

Encarregados da educação? Da educação de quem?

Se você quiser civilizar um homem comece pela avó dele - Victor Hugo.

 

Pais agridem professora por ter confiscado telemóvel na aula da matemática.

Muito bem, paizinhos.

Invadem a escola, sobem à sala dos professores e cá vai disto.

A menina fez queixa aos paizinhos e os paizinhos acreditam sempre nos filhinhos.

Sem falarem primeiro com os professores.

Muito bem.

Sobem ao segundo andar, talvez por falta de funcionários que vigiem a escola de modo a poderem proteger devidamente quem lá ensina ou estuda.

Muito bem.

Neste aspecto, talvez as coisas comecem a mudar no dia que haja um acidente com "mais visibilidade". Como é costume.

Porque nos outros aspectos, nem a escola  - que vai suspender a aluna - nem a professora têm de mudar. Os paizinhos, esses, precisavam que lhes fossem retirados - durante uns meses - os respectivos telemóveis e outros "artefactos" do género que, pelos vistos, não conseguem educar a tal aldeia (Aldeia, essa, bem mais educada quando estes "artefactos" não existiam. Mas, está bem. A culpa até nem é dos "artefactos". Coitados.)

E já agora. Se o governo considera a hipótese da existência desta lei para as agressões aos funcionários das finanças, porque descuram os professores e a escola? 

A educação também se transmite pelo exemplo. E... 

A má educação consiste especialmente nos maus exemplos - Marquês Maricá.

 

PS: E já agora, também... Estava capaz de propor a mudança do nome "encarregados de educação" para... hum... outra coisa diferente.

(Não quero ser mal educada. É que tive uma avó excelente. E civilizada.)

 

publicado por tresgues às 13:08
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Quarta-feira, 10 de Setembro de 2014

Só professor? (take 2)

Ser professor passou a ser desrespeitador. Isto é, a sua profissão é 79% (mais coisa menos coisa, segundo a minha avaliação) desrespeitada.

Ao contrário do que acontecia há uns trinta anos atrás. Não foi há tanto tempo assim.

E enquanto a sociedade não souber respeitar, nunca o pode transmitir a uma criança. Até porque mais do que palavras, ela aprende pelo exemplo.

Assim, não me espanta que"estar mais tempo na sala pode não ser sinónimo de mais transmissão de conhecimentos, alerta o relatório, chamando a atenção para outro estudo de 2013 da OCDE que revela que, em média, os docentes passam apenas 79% do tempo a ensinar, sendo o resto do tempo para trabalho administrativo e para  manter a ordem dentro da sala de aula. Portugal volta a ficar abaixo desta média, com os docentes a terem menos tempo para ensinar e a perder mais tempo para garantir o bom comportamento dentro da sala." - CM.

 

E há poucos dias atrás já falei do assunto.

De entre outras conclusões do relatório, esta é das que mais me preocupa.

 

PS: E aqueles 79% podem ser, ainda assim, pouco - relativamente ao tal desrespeito, e muito - relativamente à transmissão de conhecimentos na sala de aulas. E é pena que assim seja. Mas enfim. "Os homens mais respeitados não são sempre os mais respeitáveis" - citação MMarquês - que não resolve a questão. Mas talvez console. E talvez anime. Um pouco. A enfrentar um novo ano. Para quem tem essa sorte. Claro.

 

publicado por tresgues às 10:19
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Segunda-feira, 1 de Setembro de 2014

Só professor?

Aos que começam hoje.

Aos que ainda não começam hoje.

 

O que é um professor?

Um professor é um educador.

Só? 

Antes de mais - e cada vez mais - ele é um psicólogo, um sociólogo, um assistente social, um relações públicas - não de vinte e tal crianças, que essas são o melhor que acontece para qualquer professor que ame a sua profissão - mas de, quantas vezes, vinte e tal pais, vinte e tal mães, vinte e tal padrastos/madrastas, vinte e tal namorados de mães/pais, fora as avós, os avôs, etc., e tudo o que isso acarreta para uma criança. 

E depois, não há maneira de transmitir conhecimentos sem que aquelas cabecinhas tão sensatas e tão sinceras fiquem em paz consigo mesmas, para que possam estar disponíveis para um tão grande prazer na vida, como é o de aprender. De adquirir conhecimentos. E como elas gostariam que isso acontecesse.

Os professores são, ainda, escriturários, gestores, animadores socioculturais (e não só), etc.. Para não me alongar, fico por aqui. E tudo isto, para dizer que este trabalho é como outro qualquer (acrescento, só, que acho que há piores profissões, até porque para mim não há melhor do que lidar com crianças) mas gostaria de vos ver com uma turma inteira diante de vós. Só uma semana. Até podia ser daquelas turmas com meninos "mais bem comportados". Seja lá o que isso for. Agora. Com o dever de ensinarem e educarem.  Até vos retirava as reuniões, as escriturações, as gestões, os papelões, etc..

A sério. Gostava.

Hoje, mais do que professor, e antes de tudo, para mal dos mesmos e grande mal das crianças, os professores têm de ser os tais de que vos falei ali em cima. E, depois, lá diz o ditado: Para educar uma criança é preciso a aldeia inteira. E a aldeia (inteira) não tem estado disponível.

E os professores começam a ficar sem tempo para fazer o que os outros acham -  - que eles fazem.

E é desgastante, ao fim de um ano, dois, vinte, trinta, um professor considerar que não cumpriu devidamente a função que se propôs abraçar. (Se lhe deram essa feliz oportunidade de a poder abraçar, claro.)

 

Se estão a ler isto, algum professor tiveram.

Bom ou mau, mais ou menos capaz, cumpriu.

Respeitem-no. Mesmo que não seja a pessoa que mais amem no mundo.

 

 

 

Bom ano para todos os professores com trabalho.

Muita força para todos os professores que ainda não começam hoje.

 

PS: Este post também era dos que já estava ali guardado há algum tempo. Hoje foi o dia. Com as devidas actualizações, claro. 

Boa semana. 

publicado por tresgues às 10:43
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Andamos a matar a criatividade

Muitos licenciados no desemprego? E muitos mais virão a ser.

Mas quantos génios se perderam? E quantos perderemos ainda?

Ontem, após longa conversa, lembrei-me deste vídeo.

Hoje, ao ler esta notícia, voltei a lembrar-me dele: "Professores de línguas e de artes com poucas ou nenhuma hipótese."

Também me poderia debruçar sobre o ensino das línguas, mas vou focar-me nas artes de que tanto gosto. Dedico-o a todos os educadores. A todos os artistas. A todos nós, afinal. Imperdível. Logo que possa ganhar tempo.

"Todas as crianças nascem artistas, mas a dificuldade está em continuar a sê-lo quando crescem." (Pablo Picasso)

É uma pena.

 

 

 

publicado por tresgues às 10:52
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Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

A minha escola pública

(Baptista Bastos)

Pela escola pública. Sempre. Sem mais comentários.

(E acho que, em tempos, eu até concordava com as opiniões de Nuno Crato...)

 

Publicado no Diário de Notícias em 13 de Novembro de 2013

   Tudo o que sou e sei devo-o à escola pública, à abnegada dedicação de professores, cujas memórias retenho com emoção e saudade. Não é mau ter saudade: é manter o lastro de uma história que se entrecruza com a dos outros, de muitos outros. É sinal de uma pertença que transforma as relações em laços sociais, frequentemente para toda a vida. Da primária ao secundário, e por aí fora, a presença desses homens e dessas mulheres foi, tem sido, a ética e a estética de uma procura do próprio sentido da vida. O débito que tenho para com eles é insaldável. A paciência solícita, o cuidado e a atenção benevolente do tratamento dispensado aos miúdos desbordavam de si mesmos para ser algo de grandioso. Ah! Dona Odete, como me lembro de si, da sua beleza mítica, da suavidade da sua voz, a ensinar-nos que o verbo amar é transitivo. Também lhe pertenço, e àqueles que falavam das coisas vulgares das ruas e dos bairros, da cadência melancólica das horas e dos dias, com a exaltação de quem suspira uma reza ou compõe uma épica.

Depois, foram os meus três filhos, instruídos em cantinas escolares republicanas, e aí estão eles, no lado justo das coisas, nesse regozijo dos sentidos que obriga ao grito e à cólera quando a repressão se manifesta. Escrevo destas coisas banais para designar o verdete e o vómito que me provocam o ministro Crato e o seu sorriso de gioconda de trazer por casa, quando, por sistema e convicção, destrói a escola republicana, aduzindo-lhe, com rankings e estatísticas coxas, a falsa menoridade da sua acção. Este ministro é um mentiroso, por omissão deliberada e injunção de uma ideologia de que é paladino. Não me interessa se abjurou dos ideais de juventude; se tripudiou sobre "O Eduquês", um ensaio dignificante; ou se mandou às malvas o debate que manteve com o professor Medina Carreira, num programa da SIC Notícias. Sei, isso sim, que os homens de bem devem recusar apertar-lhe a mão.

Ele não diz que a escola pública está aberta a toda a gente, e que a escola privada (com dinheiro nosso, dos contribuintes) é extremamente selectiva. Oculta que a escola pública acolhe os miúdos com fome, de pais desempregados, de famílias disfuncionais e desestruturadas, que vivem em bairros miseráveis e em casas degradadas, entregues a si mesmos e à raiva que os alimenta.

Não diz que a escola pública é a imagem devolvida da sociedade que ele próprio prognostica e defende. Uma sociedade onde uma falsificada elite, criada nos colégios, tende a manter-se e a exercer o domínio sobre os outros. Oculta, o Crato, que, apesar desse inferno sem salvação, fixado nos rankings numa humilhação atroz, ainda surgem alunos admiráveis, com a tenacidade e a dimensão majestosa de quem afronta a injúria e a desgraça. E esta imprensa, muito solícita em noticiar trivialidades, também encobre a natureza real do grande problema. Tapa os ouvidos, os olhos e a boca como o macaco da fábula.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo acordo ortográfico

publicado por tresgues às 11:01
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Sábado, 15 de Junho de 2013

Coisas de professores

E coisas de quem percebe do assunto, AQUI, numa carta aberta ao professor Nuno Crato, por João A. Moreira, no blog "Os diletantes".

 

Transcrevo o começo:

 

Caro Professor Nuno Crato,

Acredite que é com imenso desgosto que lhe escrevo esta carta aberta.

Habituei-me, durante anos, a ler e a concordar com o muito que foi escrevendo sobre o estado do ensino em Portugal. Dos manuais desadequados à falta de exames capazes de avaliar o real grau de aprendizagem dos alunos; do laxismo instituído à falta de autoridade dos professores; do absoluto desconhecimento do que se passava nas escolas, por parte do Ministério da Educação à permanente falta de materiais e condições nas escolas. Durante anos, também eu me revoltei com a transformação da escola pública em laboratório de experiências por parte de políticos, pedagogos e supostos especialistas em educação. Foi por isso com esperança que me congratulei com a sua nomeação para Ministro da Educação do actual governo.

 

Agora podem continuar a ler. Vale a pena.

Resto de boa tarde.

publicado por tresgues às 16:45
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